SONHOS
POV EMMETT
Acordei cedo, muito cedo, a porra do celular tocava sem parar e eu juro que ia jogá-lo na parede. Mas eu vi que era Evelyn, minha querida irmã, quem ligava e nesses últimos dias ela tava me ajudando MUITO a preparar a surpresa da Lin.
- Fala, mana. – falei com a voz de sono – Não teve noite aí, não?
- Engraçadinho ... Sandy, desce daí (ela falou com a minha sobrinha). Emm, eu já liguei pro restaurante e já confirmei com eles ... Brian, não ponha o dedo na boca do cachorro (meu outro sobrinho). Emm?
- Ainda to aqui, Eve ...
- Sim, então ... Já fiz tudo o que você pediu. Agora é com você, boa sorte.
- Valeu, mana. Te amo, dá um beijo nos monstrinhos por mim.
Enquanto conversávamos, Julia, a filha mais nova da minha irmã, de apenas sete meses, começou a chorar feito uma doida ... Caralho! Que choro alto, daqui eu escutava muito bem. Essa pirralha deve tá com algum problema sério.
- Eve, o que é que a Julia tem? Tá doente?
- Não! É hora dela mamar.
- Caraca! Vai lá, a gente se fala ... Beijo.
Se aquela pirralhinha, tão pequenininha, lindinha e fofinha chorava naquele desespero todo só porque tava com fome, imagina se ela tivesse doente? Cruzes!!!
Ah! Mas meus três sobrinhos são muito fofinhos ...
Sandy é a mais velha, tem 6 anos, cabelos e olhos cor de mel. Ela é muito inteligente, educada e está aprendendo a tocar piano. ‘Quando crescer, eu vou casar com o tio Emm’, ela vive dizendo.
Brian é um pimentinha, loirinho e cheio de sardas no nariz, adora brincar com blocos de montar. No seu aniversário de 4 anos, dei a ele uma caixa de Lego Zoo e ele adorou. Ele disse: ‘Tio Emm, valeu, tu é foda, mesmo’. Nem preciso dizer que eu gargalhei muito, foi hilário, meu cunhado me lançou um olhar mortal e minha irmã beliscou meu braço achando que tinha sido eu quem tinha ensinado palavrões a ele. Confesso que a cena foi muito engraçada, mas não fui em quem fez isso.
‘Brian, querido, onde você aprendeu essa palavrinha nova?’, minha irmã perguntou a ele. ‘Papai me levou pro jogo do Austin Toros e um amigo dele disse que o jogador era foda quando ele fez uma cesta de três pontos.’
E a Julia é a mais nova princesinha, não tem nenhum dente na boca, vive babando e é toda carequinha. Bom, por enquanto ela chora MUITO, ri um pouco, dorme MUITO, suja MUITA fralda ... Nada demais!
Evelyn é 3 anos mais velha que eu, é arquiteta, montou um escritório em casa, assim ela cuida das crianças e trabalha no que gosta. Arthur, meu cunhado, é meio aluado, é professor de física quântica na Texas University e vive ganhando prêmios por aí devido às pesquisas amalucadas que faz. O importante é que a minha irmã e o ‘zé ruela’ do meu cunhado são felizes, os pestinhas dão um trabalho danado mas também dão muita alegria. Então eu acho que isso tudo vale a pena.
A Eve tá me ajudando a preparar um jantar romântico de natal para a Lindsay, minha ficante fixa há quase dois anos. Eu to querendo dar um passo na nossa relação, vou pedi-la em namoro amanhã, no jantar que to preparando aqui em casa. Lin, como eu a chamo, é uma garota fantástica, tem 29 anos (eu tenho 31) e tudo entre nós é perfeito. Ela é linda, gostosa, dona de um par de pernas ... perfeitos ... Eu acho que finalmente encontrei a mulher certa pra mim. Já tá hora de sossegar, pensar em constituir família, ter alguém pra quem voltar pra casa todos os dias, essas coisas.
Se ela topar, ela vai topar ... ela vive dizendo que me ama, acho que daqui a um ano ou dois a gente se casa, eu posso vender esse apartamento, comprar uma casa grande pros nossos filhos terem espaço pra brincar ... Ah! To sonhando acordado! Mas eu tenho certeza que é isso que eu quero pra minha vida.
Eu moro num loft de 100 m² que foi meticulosamente projetado pela minha irmã. Eu gosto dessa sensação de liberdade que os ambientes integrados e sem nenhuma parede me proporcionam. No mezanino ela fez uma suíte e uma sala de leitura, ambos num só espaço. No andar inferior há uma cozinha, emendada com a sala de jantar, que é emendada com a sala de TV e tem também um lavabo (o único cômodo com quatro paredes). As janelas são enormes e muito altas, então minha irmã teve a idéia de botar uma escada de piscina em duas das paredes do loft. Confesso que na hora achei estranho mas depois quando vi a coisa pronta, entendi tudo. Quando quero olhar a janela, subo nas escadas, é ótimo!
O dia de trabalho passou correndo no escritório do FBI daqui de Austin, Texas, o fim de mundo que eu fiz questão de ser designado depois do curso de formação da academia. Quando a Eve se casou com um texano e veio pra cá, eu sentia muita falta dela lá em Dickinson, a nossa cidade natal em Dakota do Norte. Nossa avó, a pessoa que nos criou, morreu há muito tempo, então somos só eu e Eve. Quando tive a oportunidade de escolher a cidade, não pensei duas vezes, vim pra esse fim de mundo, quente e empoeirado. Mas pelo menos estou junto de minha maninha, de meus sobrinhos e da Lin ... Ah! Lindsay ...
O dia 24 de dezembro chegou e eu tava nervoso, parecia peru de natal, com medo da hora da ceia ... ‘Que viadagem é essa, Emmett McCarty’, pensei e tentei me acalmar. Mas não deu certo ...
O pessoal do restaurante chegou às cinco da tarde com a comida, o vinho, as flores, a sobremesa e algumas frescuras pra enfeitar a mesa. Tomei um banho, vesti uma calça bacana, uma camisa social, pus perfume, peguei a caixinha de jóia e coloquei-a no bolso da calça. A Lindsay chegou as seis em ponto, linda num vestido verde pistache. Não agüentei e beijei-a logo ali, na porta, um beijo no melhor estilo ‘vou te comer’.
- Ah ... meu gato. – ela sussurrava – Assim você me deixa toda molhadinha ...
- Lin ... você tá linda! – dei um selinho nela – Feliz natal.
O jantar e a troca de presentes se seguiram como sempre. Dei a ela um porta retratos com a nossa foto e ela me deu um livro sobre bonsai (esse é o meu hobby preferido). Aumentei o volume do som e dançamos um pouco, as músicas lentas faziam meu corpo colar no dela e eu já tava louco de tesão por essa mulher! Abri uma garrafa de vinho e uma caixa de chocolates, era a hora.
- Lin ... a gente já ta junto há quase dois anos. – ela me olhava com atenção - E tudo é maravilhoso entre a gente. – minha mão tremia e eu peguei a caixinha em meu bolso – Então eu quero que isso seja pra sempre. – respirei fundo – Lindsay Gilmore, você aceita ser minha namorada? Oficialmente?
Ela me olhou e pensou antes de responder.
- AH! Emmett! Meu gostosão ... Sim!
Peguei o anel e coloquei em seu dedo da mão direita, ela sorria muito e olhava pra sua mão.
- É lindo, Emmett ...
- É ouro e brilhantes, a Eve me ajudou a escolher ...
Beijei-a com paixão e quando o ar nos faltou, colei nossas testas, olhei-a nos olhos e falei sobre tudo o que se passava em meu coração.
- Lin, você é a mulher da minha vida. Eu quero construir um futuro com você, casar, ter filhos ... Fazer uma família ...
Ela não dizia nada, apenas sorria e assentia com a cabeça. Dançamos mais um pouco e depois subimos ao quarto. Naquela noite fizemos amor de uma forma muito intensa ... Quando nossos corpos já tinham se saciado um do outro, caímos no sono.
Acordei na manhã do dia 25 e tateei a cama, procurando-a. Abri os olhos e não vi nada, levantei meio cambaleante e vi um bilhete em cima da mesa de leitura, junto dele estava o anel que eu havia lhe dado.
“Meu gostosão, me desculpe mas eu não podia mais ficar. Eu não nasci pra casar, ter filhos. Essa não é a vida que eu quero pra mim. E você é um cara maravilhoso, devo a você as melhores noites de sexo da minha vida. Você é uma ótima companhia, um cara de bem com a vida, generoso, muito família. Vai ser um ótimo pai, um dia. Mas eu não seria uma ótima mãe para os seus filhos.
Acredite, Emmett, estou fazendo isso porque eu GOSTO muito de você e não quero te machucar. Não guarde rancor de mim e siga em frente. Daqui a pouco você vai conhecer a mulher certa, ela está por aí, em algum lugar.
Um beijo e feliz natal.
P.S. Sempre fui sincera com você.
P.S.2. Não venha atrás de mim, não vou mudar de idéia.”
- Porra, levei um pé na bunda. – murmurei e senti lágrimas escorrerem por meu rosto – Tudo era só sexo, então ...
O mais estranho é que eu chorei não por ter ficado SEM a Lin mas eu fiquei mais triste porque o meu sonho havia desmoronado. Passei o resto do natal e o reveillon na casa de minha irmã e a vida voltou ao normal, mais ou menos. Na sexta feira, 8 de janeiro, eu tava ‘coçando o saco’, enquanto fazia um relatório de rotina, quando meu chefe entrou em minha sala.
- Emmett, tenho uma missão para você. – parei de digitar e olhei pra ele – M. Goleman quer que eu mande pra ele o meu melhor agente de todo o Texas.
- M, o todo-poderoso? – ele assentiu com a cabeça – Pra?
- Ele não disse ... só disse que o agente deveria estar em NY no máximo até a segunda-feira de manhã.
- Tá. Arrumo as malas amanhã e chegou em NY ainda no domingo.
Aquela seria uma ótima oportunidade de mudar de ares, conhecer gente nova dentro do FBI, trabalhar com o M-fodão-todo-poderoso e quem sabe, pegar um caso interessante.
NEVE!!!
NY tava gelada e eu tava muito feliz! Que saudade da neve!
Peguei um taxi e me hospedei num hotel meia-boca no centro de Manhattan. Mas pra mim, se o hotel tiver uma cama confortável e um chuveiro quente, tá bom demais. Naquela noite de domingo, dormi feito uma pedra. Acordei cedo na segunda-feira, tomei café e peguei um táxi, rumo ao Ritz, onde M tinha se hospedado (quem pode, pode). Quando cheguei lá, liguei pra ele e ele me mandou subir até a sua suíte. Eu tava meio desconfiado disso, então, por cima do sobretudo, pus a mão na minha arma. Bati na porta e um agente abriu-a, me identifiquei e ele me mandou sentar numa poltrona. Percebi que tava numa mega suíte.
- Bom dia, Emmett McCarty. – um cara de meia-idade entrou na sala e me cumprimentou – Sou M. Goleman, seja bem vindo à operação Volturi.
Reconheci de imediato que era o próprio M, já tinha visto umas fotos dele e estive presente na cerimônia de sua posse.
- Bom dia, senhor. – fiz uma pausa e arqueei uma sobrancelha – Operação Volturi? Do grupo empresarial Volturi?
- Isso mesmo. – ele sentou na poltrona ao meu lado – Você foi designado para ser o nosso homem do Texas. Sei que você tem muitos contatos, conhece muita gente e tem um bom faro investigativo. – ele pegou uma pasta onde tinha um monte de informações minhas – Emmett Bernard McCarty, 31 anos, formado em jornalismo pela Princeton University, faixa preta em caratê,exímio lutador de kung fu. – ele fez uma pausa – Por que jornalismo?
- Bom, eu já sabia que queria ser agente do FBI, isso era um sonho de criança. Então pensei que o curso de jornalismo, que era minha segunda opção profissional, seria útil quando eu fosse exercer a profissão de agente.
- Eu queria o melhor do Texas. Você é o melhor, McCarty?
- Eu me esforço para ser, senhor.
- Boa resposta.
O celular dele tocou e ele se levantou pra atender longe mim. Enquanto isso eu pensava que raio de operação era aquela ... Eu não tinha ouvido falar em nada que pudesse levantar suspeitas da família ou das empresas Volturi.
- Você já ouviu falar de Jasper Franklin Mansen? – ele me perguntou quando voltou a sentar na poltrona.
- Sim. Filho do lendário Franklin William Mansen, um dos maiores agentes que o FBI já teve. – falei com uma certa reverência, o velho Will Mansen era uma lenda viva do FBI mas agora já tava aposentado.
- Isso mesmo. Mansen, o filho, também está nessa operação. – ele fez uma pausa – Eu vou dirigir a operação, Mansen não é o chefe, mas ele é o cara que tem um grande conhecimento do assunto. – outra pausa – Além dele, trabalharão com você Mary Alice Brandon e Rosalie Lilian Hale, duas das melhores agentes do FBI.
- Sim, senhor. – respirei aliviado, pelo menos a operação não teria apenas o fedor de cuecas ...
Mansen havia chegado e avisou que a Srta. Hale estava presa no trânsito porque um caminhão havia tombado em plena ponte do Brooklin e o trânsito teve que ser alterado. Enquanto isso, os dois me falaram do caso e o meu queixo quase caiu quando eu percebi o tamanho da merda que aquilo tudo ia fazer. Fiquei surpreso ao perceber o grau de periculosidade dessa gente que já tinha matado Ben Chenney, um dos melhores agentes do FBI. Sem falar nos casais Swan e Cullen, que aparentemente morreram de graça.
- É uma missão muito importante, senhor. – eu queria dizer ‘quando terminarmos isso vai feder pra caralho’, mas eu tinha que ser educado.
- Sim. Por isso quero que você faça o seu melhor. – M falou.
Fomos interrompidos pela chegada de uma deusa. Eu pensei que tinha morrido e que tinha ido pro céu ... E lá eu me dava conta que existia uma linda deusa de cabelos loiros ... Era ela ... A beleza sublime,a criatura divina que veio a terra pra distribuir beleza, graça e amor. Eu não sabia quem eu era, eu não sabia mais onde estava, só sabia que estava diante da pessoa mais importante do mundo. Eu sentia que ela tinha sido feita especialmente pra mim, eu me sentia enfeitiçado por ela. Aquela mulher era agora, a razão da minha existência, era muito mais que uma simples atração, era como se todo o meu ser se sentisse atraído por ela ...
- Bom dia. – que voz linda – Desculpem a demora, fiquei presa no trânsito.
- Tudo bem, Srta. Hale – M falou – Mansen eu creio que lhe dispensa apresentações – a minha deusa loira sorriu – Mas esse aqui – ele apontou pra mim e eu fiquei nervoso – Esse é Emmett McCarty, o nosso melhor agente do Texas ...
Foi por um instantinho só, nossos olhares se encontraram e eu senti uma coisa esquisita no meu estômago. Vixe Maria!!! Lembrei da expressão ‘borboletas no estômago’ e sorri abobado para aquela linda mulher. Cruzes, meu Pai do céu! ‘Que viadagem é essa, Emmett?’, quem sente borboletas no estomago são as garotas apaixonadas e NÃO VOCÊ!
Mas eu passei a desejá-la incessantemente desde aquele dia. Não era o simples desejo por seu corpo, que deveria ser delicioso, não há duvidas, mas era o desejo de amá-la, protegê-la, cuidar dela, fazer de tudo pra que ela fosse feliz. Eu nunca senti algo tão intenso, tão avassalador, tão inesperado por mulher alguma. Seria isso amor? E eu que pensei que já tinha amado antes ...
M se despediu de nós e nos mandou trabalhar no caso IMEDIATAMENTE. Fomos todos para a mansão dos Cullen onde trabalharíamos estudando as provas e ainda seríamos babás de dois riquinhos mimados. Mansen havia alugado um carro, ele foi na frente com a Srta. Hale, eu fui no banco de trás. Os dois conversavam bastante e eu notei que já se conheciam, lamentei, pensando no fato deles dois terem algum lance. Senti um inusitado e misterioso aperto no peito como seu eu tivesse sofrendo por amor ... Foi muito pior do que quando a Lin me deixou.
Antes de chegarmos na mansão, passamos no hotel, eu fechei a conta, peguei minhas malas e seguimos em direção a Old Westbury, o bairro das mansões dos ricaços de NY. Paramos em frente a uma imponente construção, só o portão dela tinha tanto ferro que poderia fazer outros vinte portões. Entramos e assim que Mansen estacionou o carro, eu me deparei com uma mansão enorme, toda em tijolos vermelhos, umbrais brancos, muitas janelas ... Eve adoraria entrar numa mansão que foi construída em 1875 (vi a data sobre o umbral da porta principal). Lá dentro encontrei uma baixinha esquisita e bonita, de cabelos pretos espetadinhos e um jovem casal, esse devia ser o casalzinho Swan-Cullen, os órfãos. Confesso que fiquei sensibilizado com eles, perder os pais desse jeito ... ninguém merece. Graças a Deus, eles não eram riquinhos mimados como eu pensei, não mesmo. Eles eram dois jovens apaixonados, educados, de pés no chão e que andavam muito tristes ultimamente mas eram pessoas boas. Outra notícia maravilhosa que eu tive é que a Rose (sim, ela pediu que a chamássemos assim) era irmã do Mansen, então eu tinha alguma chance com ela.
Os dias se passaram e eu tive a SORTE de conhecer melhor a Rose, nós dois estudamos as provas muitas vezes e eu sempre tentava puxar assunto com ela. Mas confesso que ela é uma pessoa muito fechada, muito na dela. Numa tarde, estávamos só nos dois, no escritório da Mansão Cullen, olhando o conteúdo daquele pendrive de novo.
- Rose, eu queria ... – respirei fundo e olhei em seus olhos – Eu quero te conhecer melhor, se ... se você quiser sair qualquer dia desses ...
Vi um brilho diferente nos olhos dela e pedi a Deus que aquilo não fosse impressão minha. Ela sorriu e demorou um pouco a responder.
- Emmett, nós estamos aqui de babá ... mas eu acho que – ela parecia hesitante – Olha, eu não sou uma pessoa muito sociável, Emmett ... Eu ... – ela baixou o olhar – Talvez você pense que eu sou uma coisa diferente do que sou ...
- Eu te aceito do jeito que você é, Rose. – falei decidido.
- Eu sou, tipo ... uma peça defeituosa, Emmett. – ela ainda olhava pra baixo – Não se dê ao trabalho ...
Toquei de leve em seu queixo e ergui seu rosto com uma mão, a outra mão acariciava bem de leve os seus cabelos. Ela pareceu gostar do toque porque seus olhos se fecharam um pouco.
- Rose, se você se permitir e ME permitir, eu quero ter esse trabalho ... Eu serei pra você o que você precisar, um amigo, um confidente, um namorado ... Promete pensar no assunto?
Ela apenas assentiu com a cabeça, mas aquilo foi tudo pra mim. Eu não sei qual é a dessa mulher, todos nós temos nossas histórias tristes, nossos dramas e fantasmas. Mas eu acho que ela ainda tem uma ferida aberta, algo que a impede de se entregar, de amar, de ser feliz.
Mais e mais dias se passaram e tivemos que sair de NY às pressas porque o filho da puta do Alec tava trás da gente. Não da gente especificamente, mas de quem tava investigando o caso Volturi. Viemos parar na fazenda dos pais de Alice, num fim do mundo dentro da Georgia. Mas o lugar era lindo e a tia Jô é uma figura hilária, virei fã dela.
Tivemos um sábado no melhor estilo ‘sessão aventura’, primeiro nos separamos, meninos pra um lado, meninas pro outro. Quando finalmente dissemos a Edward aquele plano maluco de Zafrina Miller Senna (a Diretora Nacional do Marshals Service) de separá-lo da Bella ... foi um caos. Primeiro o coitado saiu correndo feito um doido, foi atropelado, chegou num parque e ficou zanzando feito um cachorro que caiu do caminhão de mudança. Depois ele sentou embaixo de uma árvore e ficou lá, remoendo suas dores, pensando no que fazer ... Foi nessa hora que eu tive a absoluta certeza que o cara ama demais aquela garota.
Eu e Mansen apenas olhávamos pra ele de longe, depois ele veio até nós, pediu dinheiro emprestado e eu perguntei quais eram seus plenos. Entendi de imediato quando ele apontou para uma joalheria. Voltamos à fazenda e numa tacada só, Edward pediu Bella em casamento, ao mesmo tempo em que ficava sabendo que seria pai. Fiquei orgulhoso pela decisão do garoto e por um instante senti inveja dele. Mas era aquela ‘inveja branca’ (aquela que não quer o mal) porque, apesar das circunstâncias, esse garoto já tem o seu lugar no mundo, já tem a sua família pra cuidar e amar.
Fiquei pensando na Rose ...
Ah! Mas eu não vou desistir de meus sonhos! Não vou desistir de ter a minha família também! Não sem lutar por ela. Na sexta que vem é o aniversário da Rose e eu vou pedir a ajuda da Alice pra poder fazer uma comemoração especial pra ela. Só to esperando o momento certo de falar com a baixinha. Depois do ‘você quer casar comigo’ lá no estacionamento (pode parecer esquisito mas Edward pediu Bella em casamento num estacionamento de caminhões) , nós seis voltamos para a mansão. Todo mundo tava cansado, os pombinhos logo subiram para o quarto, Mansen também (ele dispensou o jantar e subiu apressado, acho que ele queria pensar nos sábios conselhos que lhe dei), Rose nos desejou boa noite e quanto Alice ia fazer o mesmo, eu encontrei a oportunidade que eu queria.
- Alice, preciso de sua ajuda. – ela olhou pra mim surpresa – Na sexta que vem é o aniversário da Rose.
- Hum ... To vendo que você anda muito dedicado numa certa investigação ... Andou pesquisando nos arquivos do FBI sobre uma certa agente linda e loira? - ela sorriu.
- Sim ... Você pode me ajudar a preparar uma coisa especial pra ela? A gente podia sair pra um lugar legal – respirei fundo – Eu tava pensando se nós seis saíssemos porque eu AINDA não tenho nada com a Rose e se eu a chamar pra sair só nós dois, tenho medo que ela pense que isso é um encontro ... e ... sinceramente, Alice, não sei se ela tá mesmo a fim ...
Pronto. Falei tudo o que eu tava pensando. Eu sempre sou assim, vovó me chamava de ‘Emmett, o livro aberto’ porque eu nunca conseguia fingir ou esconder meus sentimentos por muito tempo.
- Emmett, presta atenção – ela se aproximou mais de mim – Rosalie é como uma rosa, isso não é um trocadilho. Ela é muito sensível e já foi muito machucada, então ela vive com um pé atrás ... Mas ela te acha um gato e se ela perceber que você só quer o bem dela, ela não vai resistir.
Sorri para a baixinha e assenti fervorosamente.
- Pode deixar comigo, Emmett. Conheço um lugar legal pra gente ir, um bar country com música ao vivo e nas sextas eles fazem um karaokê ... é muito divertido. – ela arqueou uma sobrancelha – O que você acha?
- Se você diz que é legal ... eu acredito. – abracei-a – Obrigado, baixinha!
Fui à cozinha, comi alguma coisa e subi para o quarto, Mansen tava sentado no sofá, ‘pensando na morte da bezerra’ e ainda tava com o cubo mágico nas mãos. Tomei um banho, deitei na cama e comecei a pensar nela, na minha Rose ... Se tudo der certo, dividirei meus sonhos com ela pelo resto de nossas vidas.
FIM DO POV EMMETT
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POV JASPER
Que sábado tumultuado! Eu não podia imagina que Edward reagiria tão mal à sugestão de Zafrina Miller ... Mas se eu tivesse no lugar dele (não quero nem imaginar uma coisa dessas), eu não seria capaz de deixar Alice ...
Ah! Mas do que eu to falando?! EU JÁ DEIXEI ALICE UMA VEZ! EU JÁ DEIXEI SEU CORAÇÃO SANGRANDO ...
Por que essa culpa me persegue? Será que eu nunca vou conseguir superar esse sentimento? Preciso decidir se deixo Alice seguir em frente sem mim ou se devo pedir a ela mais uma chance ...
FLASH BACK
‘Academia do FBI’, eu sorria orgulhoso enquanto olhava para a imponente placa. Finalmente eu tinha conseguido, eu era aluno da academia e depois seria um Agente do FBI, como o meu pai e a minha irmã, Rosalie, que tinha terminado o curso de formação recentemente. Eu estava onde sempre quis estar.
Numa manhã de verão, caminhei tranquilamente pelo campus da academia em direção à Biblioteca Central. Eu precisava estudar para umas provas, mas naquele dia, tudo o que eu não fiz foi estudar. Ela estava lá. ALICE. Numa mesa da biblioteca estava a linda mulher que eu já tinha visto há alguns dias, cheia de livros ao seu redor, muito concentrada no que lia e comendo disfarçadamente (é proibido comer dentro da biblioteca) uma barrinha de cereal. Meus olhos não conseguiram deixar a figura daquela mulher, seus lindos e brilhosos cabelos pretos emolduravam seu belo rosto.
- É proibido comer aqui. – me inclinei e sussurrei em seu ouvido.
- AAAIII! – ela deu um gritinho de susto e pulou da cadeira, virou o rosto pra mim e fez cara feia – IDIOTA!
Segurei o riso, ela parecia uma tigresa, toda nervosinha. Seus olhos pretos me fulminavam e eu me enchi de tesão na mesma hora, aquela mistura de beleza e raiva me excitava. As pessoas ao redor sibilaram muitos ‘PSIU’ e eu me sentei na cadeira vaga ao seu lado.
- Sou Jasper Mansen, prazer em conhecê-la. – estendi a mão mas ela não a apertou – Ou não.
- Alice Brandon. – ela falou sem me olhar no rosto e voltou a sua atenção para o livro.
Como é que é? Ela vai dar mais atenção ao livro do que a mim? Ah, mas não vai mesmo. Rapidamente puxei o livro que estava a sua frente sobre a mesa e fechei-o, deixando-o sob meu braço.
- De-vol-va. – ela sibilou e eu fiquei duro ao ouvir aquela voz tão ameaçadoramente dócil.
- Não. – respondi simplesmente.
Ela respirou devagar e finalmente levantou o seu rosto, nossos olhares se encontraram e eu senti que todo o meu ser se modificava naquele momento.
- Jasper Mansen, por favor, devolva meu livro. – ela falou calmamente e me desarmou por completo – Olha, eu tenho uma prova muito importante amanhã de manhã, preciso desse livro pra estudar.
Naquele momento eu me dei conta do papelão que eu tava fazendo, mas eu não queria, de jeito nenhum, deixar de ser o foco da atenção dela.
- Desculpe, eu ... não sei o que me deu. – respirei fundo – Você deve achar eu sou louco.
Passei o livro pra ela e nessa hora, nossas mãos se tocaram, eu senti um calor muito gostoso e posso dizer que ela sentiu algo também, porque seu rosto ficou rosado.
- Nem todo mundo que gosta de chamar a atenção pode ser diagnosticado como louco ... – seu tom de voz já era um pouco mais amigável.
- Psicologia? – perguntei.
- An-ham ... E você?
- Direito. – falei e sorri, finalmente ela se interessava em mim.
- Olha, Jasper Mansen ...
- Jasper, você pode me chamar de Jasper. – ela apenas sorriu.
- Bom, Jasper, eu realmente tenho que estudar, a gente se vê por ai.
Ah! Não, ela ia me dispensar de novo! Pensa, pensa rápido, Jasper.
- Alice, o que você vai fazer amanhã à noite? – eu parecia um garoto de tão nervoso que tava – Tem uma pizzaria aqui perto e ... se você não gostar de pizza, conheço um bar ... ou cinema ... ou
‘PORRA, JASPER! QUE GAGUEIRA É ESSA?’
- Você tá me convidando pra sair, Jasper? – ela falou calmamente e eu apenas assenti, bobo - Eu adoro, pizza. – sua delicada mão tocou em meu braço e senti um calor enorme – C34.
- Como? – perguntei.
- Eu moro no alojamento C, quarto 34. – tá ela deve me achar mentalmente incapaz, ela só tava dizendo onde eu a encontraria.
- Te pego às 9, então.
Dei um beijo muito rápido em sua bochecha e sai. Aquele foi o melhor dia da minha vida, o começo de tudo ... Alice ... A pessoa mais incrível, mais linda, carinhosa, alegre, sincera que já conheci na vida. Meu grande amor.
FIM DO FLASH BACK
Fui dormir pensando nisso e acordei no meio da noite (eram 2 da manhã) pensando nela de novo. Virei pra um lado, virei pro outro e decidi descer e caminhar um pouco pelo jardim. Vesti o um sobretudo por cima do pijama e sai do quarto, tudo tava silencioso, todos dormiam, eu acho. Pensei em sair pela porta da cozinha, pra evitar de fazer muito barulho mas quando cheguei lá, me deparei com o Sr. Jones, sentado diante da mesa, tomando um chá.
- Sem sono, meu filho?
- Sim ... eu ... ando meio estressado ...
O velho pastor deve ter visto algo em meus olhos, ele deu um leve sorriso.
- Sente-se, Jasper, vamos conversar um pouco. – ele olhava em meus olhos e eu fiz o que pediu – Qual é o motivo para tanta inquietação?
Porra! Ele foi direto ao ponto!
- Eu ... eu suponho que o senhor já saiba ...
- Eu sei o que Alice me contou. – ele estreitou um pouco o olhar – Eu conheço as dores da minha filha ... As suas, não.
Bom, se ele tava sendo direto, eu também seria. Nunca fui um cara de meias palavras.
- Eu AMO a Alice mas ...
- Mas? – ele me incentivou a falar.
- Fiz uma grande besteira, magoei a sua filha no passado. Eu tentei seguir em frente e pensei que ela tinha refeito a vida. Mas agora, por ironia do destino, estamos trabalhando juntos e essa proximidade toda tem me deixado ... perturbado.
- Ela já superou tudo, Jasper. - ele fez uma pausa – Depois de um tempo, ela ficou sabendo que a moça, a Maria, armou uma situação pra ficar com você. Não que isso lhe exima de toda a culpa, mas quando Alice soube, ela ainda tava em Oxford, terminando os estudos ... Tudo o que ela mais queria era uma oportunidade de conversar com você.
- Mas eu não dei a ela essa oportunidade ...
- Sim, Alice nos contou que você se transformou numa coisa dura e seca, como uma rocha no meio do deserto ...
- Eu ...
- Meu filho, até das rochas do deserto Deus pode fazer brotar uma fonte de água ... Quando o povo de Deus tava no meio do deserto, Ele mandou o profeta Moisés bater com uma vara numa rocha e dela saiu água para matar a sede do povo. – ele fez uma pausa – Nada está perdido, Jasper, principalmente se Alice já perdoou você.
- Eu tenho medo de falhar de novo. – baixei meu olhar.
- Você acha que poderia trair a minha filha de novo?
- NÃO! ISSO NÃO – levantei o olhar e falei com convicção – Eu não quero mais causar nenhum tipo de dor para Alice.
- Você não é perfeito, Jasper, ninguém é. Então, perdoe a si próprio e siga em frente. – aquele velho pai meu olhou suplicante – Você é o que Alice precisa, ela te ama. Faça o correto, filho!
- Obrigado, Sr. Jones. – sorri pra ele e ele retribuiu o sorriso.
Fomos surpreendidos pela presença de Edward e Bella, ali na cozinha em plena madrugada. Os dois pareciam sem graça.
- Boa noite. – Edward falou baixo.
- Boa noite, Mansen. – Bella estava corada – Boa noite, Sr. Jones ... Eu tava com fome e acordei ...
- OH! Meus filhos. – o velho homem se levantou – Jô nos contou a novidade, parabéns aos noivos! – ele abraçou o casal ao mesmo tempo – Parabéns pelo bebê também ...
- Obrigada! – Bella sorriu.
- Coma à vontade, filha ... gravidez costuma dar fome ... Não que eu saiba disso por experiência própria!
Nós todos sorrimos e Bella se serviu com uma xícara de leite e alguns biscoitos de aveia e mel.
- Sr. Jones, o senhor era justamente a pessoa com quem eu gostaria de falar. – Edward olhou do pastor para Bella enquanto falava – Eu e Bella gostaríamos que o senhor fizesse a nossa cerimônia de casamento ... Nós gostamos muito do senhor, nunca vamos nos esquecer da forma com que sua família nos acolheu nesse momento de dificuldade, mas nós somos católicos ... Espero que não haja nenhum problema para o senhor.
- Deus é um só, meus filhos ...
- Então isso é um sim? – Bella perguntou e ele assentiu – Obrigada! A cerimônia será simples, Sr. Jones, queremos apenas as bênçãos de Deus.
- Queremos que seja oficial também. – Edward completou.
Eles estavam visivelmente emocionados e eu me lembrei das questões práticas que toda aquela situação implicaria.
- Sr. Jones, não sei se Alice contou a vocês o real motivo de termos vindo pra cá. – ele me olhou sério antes de responder.
- Alice nos contou por alto. – ele fez uma pausa – Ela disse que tinha a ver com uma grande investigação do FBI, que naquele momento Zion era o lugar ideal para ela e um grupo de amigos passarem uma temporada ...
- Ela disse mais alguma coisa? – eu precisava saber o que exatamente eles sabiam.
- Ela pediu discrição, então eu e Grace não contamos isso pra ninguém. O resto da família entende que Alice e um grupo de amigos estão viajando de férias.
- Perfeito. – sorri – Então Sr. Jones, se o senhor já aceitou fazer a cerimônia de casamento de Edward e Bella, preciso lhe contar mais algumas coisas e pedir mais uma vez a sua discrição. Não só para a segurança dos noivos, mas para a segurança de todos nós também.
- Pode confiar em mim, meu filho.
- Edward Cullen e Isabella Swan são os nomes verdadeiros deles. Esse casal está sob proteção do FBI e logo estarão inscritos no serviço de proteção a testemunhas. – o velho ficou um pouco alarmado – Não se preocupe, Sr. Jones, nenhum dos dois fez nada de errado, ao contrário, são vítimas que perderam os pais de uma forma muito brutal.
- Eu não podia imaginar que eram vocês ... Vi a reportagem sobre o assalto que vitimou seus pais. – o velho murmurou.
- Tem como o senhor fazer o casamento deles da forma mais discreta possível? – perguntei.
- Bom, eu sou um pastor mas possuo licença para realizar casamentos com efeitos civis ... Não há problema nenhum em ser discreto.
- Ótimo. – olhei pra Edward e Bella que assistiam a tudo calados – Quando terminar a cerimônia e vocês dois tiverem assinado a certidão de casamento, eu trocarei a verdadeira pela falsa, que será concedida pelo Marshals Service. Aliás, vocês receberão além da certidão de casamento, carteiras de identidade, carteiras de habilitação, carteiras de seguro social e passaportes. Tudo com a nova identidade de vocês.
- Mas e quando o bebê nascer? Como iremos registrá-lo? – Edward perguntou.
- Os documentos que lhes entregaremos não são falsos, eu me expressei mal. Eles são verdadeiros, feitos dentro da lei e serão idôneos para tudo, inclusive para fazer o registro de nascimento do bebê.
- Fico imaginando quais nomes teremos ...
- Os nomes serão os mesmos, Bella. – ela me olhou surpresa – Vocês se chamarão Isabella e Edward, só o sobrenome que será diferente ... Levantaria muitas suspeitas se de repente na rua, alguém lhe chamasse de Hillary, por exemplo e você não respondesse logo.
- QUE BOM! – ela sorriu mais ainda.
- Mas só manterão os primeiros nomes ... o resto não.
- Tá ótimo, Mansen. – ela olhou para o noivo – Que bom, Edward!
Eles sorriram e ela bocejou.
- Ah! Acho que é hora de voltar pra cama. – ela sorriu e se levantou – Obrigada, Mansen. Obrigada mais uma vez, Sr. Jones.
- Eu gostei muito de conhecê-los. - o velho pastor falou depois que eles saíram – Só espero que continuem assim, que o amor deles seja um alicerce forte na construção da família.
Eu gostava de conversar com o pai de Alice, ele sempre tinha sábias e reconfortantes palavras para todos que precisassem, inclusive para mim. Conversar com aquele pastor me fazia ter esperança, era como se eu conseguisse tirar um grande peso das costas.
- Eu também vou dormir. – toquei em seu ombro – Obrigado por tudo, Sr. Jones.
- De nada, filho. – ele fez uma pausa – Jasper? – me virei e olhei pra ele.
- Eu ainda não perdi as esperanças de levar a minha filha ao altar. E ainda quero ver meus netinhos, alguns loirinhos e alguns de cabelos pretos, correndo por esses campos de algodão ... Espero que você não me decepcione.
- Eu também espero, senhor. – fiz uma pausa – Faça uma oração por mim, pastor.
- Farei.
Voltei pro quarto e deitei rapidamente. Pensei em Alice, em mim, em minhas neuras e culpas. ‘Jasper, você é um homem ou é um rato? Tenha coragem e tome nos braços a mulher que você ama!’, esse foi o meu último pensamento antes de dormir e depois fiz uma rápida oração: ‘Deus, eu quero ter Alice de volta. Me ajude a transformar esse sonho em realidade.’
FIM DO POV JASPER
...............................
POV EDWARD
- Ed ... – eu ouvia uma voz vinda de longe - Edward ...
- Hum ...
- Amor, acorda. – senti um toque leve em meu ombro e despertei.
- Oi, Bella. – falei com voz de sono – Tá tudo bem? – acendi a lâmpada do abajur.
- To com fome ... Vamos na cozinha comigo? – ela também falou com a voz de sono – Desculpe, amor, mas faz um tempinho que eu to acordada e só consigo pensar em comida.
- Tudo bem, princesa. – dei um selinho nela e me espreguicei.
Caraca! O bebê ainda nem nasceu e ele já ta me acordando de madrugada!
- Eu não queria te chamar mas fiquei constrangida em descer sozinha. – ela falou e mordeu o lábio inferior em seguida.
- Sei ... Você não queria era ser pega ‘assaltando a geladeira’ sozinha. – falei zombeteiro e ela sorriu.
- Bonnie e Clyde ... os assaltantes de geladeira!
Sorrimos baixinho com a analogia, nos levantamos e saímos do quarto em silêncio.
- Bella, eu tive pensando em convidar o pai de Alice pra fazer a nossa cerimônia de casamento. Apesar de sermos católicos, acho que ele é a melhor opção nesse momento. O que você acha? – cochichei pra ela.
- Eu acho que é uma ótima idéia, amor! – ela cochichou, parou de andar, segurou em meu braço e me olhou nos olhos – E não se preocupe, dadas as circunstâncias, a cerimônia civil de casamento já vai ser de bom tamanho. Então eu acho que não haverá problemas com a nossa religião.
Eu vi um pouco de tristeza em seus olhos enquanto ela falava. Bella sempre foi uma garota romântica, daquelas que gosta de tudo da forma mais tradicional. Eu a havia pedido em casamento num estacionamento de caminhões de uma cooperativa de plantação de algodão! Eu sei que ela me ama mas não era com isso que ela sonhava ... Também não era com um casamento sem festa que eu queria selar a nossa união. Eu queria uma cerimônia religiosa, queria nossos amigos, nossos pais ...
- Eu lamento, Bella. Eu ... queria poder te dar mais. – ela franziu a testa sem entender as minhas desculpas – Eu queria te dar a festa de casamento que você sempre sonhou.
- Pare com isso, Edward! – ela envolveu meu rosto em suas mãos – Não lamente! Nunca! Eu tenho você, tenho nosso bebê ... isso é muito mais do que eu mereço. Ouviu? – assenti com a cabeça – E fique você sabendo que eu não lamento. Eu tenho tudo porque você me ama.
Ela me beijou com muita ternura e o calor da minha Bella baniu a tristeza de meu coração. Ela estava certa, nada de lamentos! Correspondi ao beijo e abracei-a pela cintura, quando o ar nos faltou, colamos nossas testas e sorrimos um pro outro. Voltamos a caminhar em direção à escada e eu me coloquei na frente dela, caso ela se desequilibrasse, se apoiaria em mim.
- Amor, segure firme no corrimão e cuidado onde pisa.
Ela sorriu um pouco e respirou devagar antes de responder.
- Tão protetor! – murmurou baixinho.
- Claro, se antes eu não podia viver sem uma pessoa, agora são duas.
Chegamos na cozinha e nos surpreendemos ao encontrar Mansen e o Sr. Jones sentados, tomando chá e conversando. Este nos cumprimentou, dando votos de felicidades pelo casamento e pela gravidez. Bella se serviu de alguma coisa e eu aproveitei a oportunidade pra falar com ele sobre a cerimônia do casamento.
- Sr. Jones, o senhor era justamente a pessoa com quem eu gostaria de falar. Eu e Bella gostaríamos que o senhor fizesse a nossa cerimônia de casamento. Nós gostamos muito do senhor, nunca vamos nos esquecer da forma com que sua família nos acolheu nesse momento de dificuldade, mas nós somos católicos, espero que não haja nenhum problema para o senhor. – eu tinha que deixá-lo à vontade, não sabia se a religião dele permitiria.
- Deus é um só, meus filhos ...
- Então isso é um sim? – Bella olhou pra ele, surpresa – Obrigada! A cerimônia será simples, Sr. Jones, queremos apenas as bênçãos de Deus.
- Queremos que seja oficial também. – frisei bem essa parte.
Mansen começou a contar a ele algumas coisas sobre nós. Coisas que deveriam ser mantidas em segredo, eu acho, mas se ele contou era porque seria inevitável esconder. Se o pastor ia celebrar nosso casamento, de todo jeito ia descobrir nossos sobrenomes.
- Pode confiar em mim, meu filho. – o pai de Alice falou pra Mansen depois de ter ouvido umas explicações dele.
- Edward Cullen e Isabella Swan são os nomes verdadeiros deles.
Caraca! Fiquei tenso nessa hora.
- Esse casal está sob proteção do FBI e logo estarão inscritos no serviço de proteção a testemunhas. – Mansen continuava a falar – Não se preocupe, Sr. Jones, nenhum dos dois fez nada de errado, ao contrário, são vítimas que perderam os pais de uma forma muito brutal.
- Eu não podia imaginar que eram vocês. – o pastor olhou pra nós com pena - Vi a reportagem sobre o assalto que vitimou seus pais.
- Tem como o senhor fazer o casamento deles da forma mais discreta possível? – Mansen fez a pergunta que eu esperava ouvir.
- Bom, eu sou um pastor mas possuo licença para realizar casamentos com efeitos civis. Não há problema nenhum em ser discreto.
Graças a Deus, a resposta que eu queria ouvir.
- Ótimo. Quando terminar a cerimônia e vocês dois tiverem assinado a certidão de casamento, eu trocarei a verdadeira pela falsa, que será concedida pelo Marshals Service. – Mansen falava para mim e para Bella - Aliás, vocês receberão além da certidão de casamento, carteiras de identidade, carteiras de habilitação, carteiras de seguro social e passaportes. Tudo com a nova identidade de vocês.
- Mas e quando o bebê nascer? Como iremos registrá-lo? – essa era outra coisa importante que eu precisava perguntar.
Meu filho, infelizmente, não seria ‘oficialmente’ um Cullen mas ele teria de ter algum sobrenome.
- Os documentos que lhes entregaremos não são falsos, eu me expressei mal. Eles são verdadeiros, feitos dentro da lei e serão idôneos para tudo, inclusive para fazer o registro de nascimento do bebê.
- Fico imaginando quais nomes teremos. – Bella pensava alto.
- Os nomes serão os mesmos, Bella. Vocês se chamarão Isabella e Edward, só o sobrenome que será diferente ... Levantaria muitas suspeitas se de repente na rua, alguém lhe chamasse de Hillary, por exemplo e você não respondesse logo.
- QUE BOM! – ela ficou feliz com a notícia, eu também.
- Mas só manterão os primeiros nomes ... o resto não.
- Tá ótimo, Mansen. – ela olhou pra mim, seus olhos eram pura alegria – Que bom, Edward!
Sorrimos e eu dei um selinho em sua testa.
- Ah! Acho que é hora de voltar pra cama. – ela bocejou e se levantou – Obrigada, Mansen. Obrigada mais uma vez, Sr. Jones.
Na volta, fiz com que ela subisse a escada exatamente na minha frente.
- Já sei. Se eu desequilibrar, você me segura. – ela falou e aposto que tava revirando os olhos.
- Você aprende rápido, amor.
Quando entramos no quarto, deitei logo na cama. Bella entrou no banheiro, acho que ia fazer xixi de novo e depois voltou, deitou ao meu lado e começou a olhar para a aliança de noivado.
- Linda. – virei meu corpo pra poder olhá-la.
- É mesmo, você tem bom gosto amor ... – ela falou e estirou a mão direita para que a aliança ficasse mais em evidência.
- Eu to falando de você, sua boba! – colei nossos corpos e distribui selinhos pelo rosto dela – Eu to falando da dona da aliança ... da mãe do meu filho ... da minha noiva ...
- Meu noivo! – ela sorriu e envolveu meu rosto em suas mãos – Eu te amo, meu noivo!
Beijei-a com paixão, intensidade e devoção. Mudei a posição de meu corpo e fiquei por cima dela mas sem liberar todo o peso dele sobre ela. Meus lábios nunca se cansam do calor e da maciez dos lábios dela, a minha língua só queria explorar o interior daquela boca quente e gostosa. O ar nos faltou e eu me perdi na delícia do seu pescoço, distribuía beijos molhados em seu queixo, voltava ao pescoço e fazia todo o percurso de volta, chegando ao lóbulo da orelha.
- Bella ...
Ela acariciava minhas costas por cima do moletom que eu vestia, seu corpo dançava sob o meu e eu já sentia meu membro pulsando dentro de minhas roupas, pronto pra batalha .
- Ed ... amor! – ela buscou meus lábios novamente e começou a tirar a blusa do moletom que eu usava, ajudei-a me desfazendo da peça rapidamente.
Inverti nossas posições, deixando-a por cima e ela distribuía beijos ardentes sobre o meu peito e barriga, cada toque de seus lábios na minha pele me levava ao êxtase. Nos fiz sentar na cama e ajudei-a a se despir também, tirei seu moletom e seu sutiã (uma parte bem pequena de meu cérebro raciocinou que ela só estava dormindo de sutiã por causa da gravidez) e logo percebi seus mamilos já intumescidos, esperando por mim. Deitei-a de novo e comecei a explorar um mamilo com a boca e o outro com a mão. Minha língua passeava bem devagar, saboreando-o com calma, senti as unhas de Bella me arranhando nas costas.
- Amor ... – ela murmurou – O outro ...
Sorri baixinho e entendi logo o que ela queria, comecei a acariciar o outro mamilo com a língua e Bella arranhava mais e mais a minha pele.
- Oh! Ed ... – ela gemeu baixinho.
- O que você quer, Bella? – meu hálito soprava quente em seu mamilo.
- Você ... dentro de mim. – ela falou ofegante.
Minha boca buscou a dela de novo enquanto uma de minhas mãos invadiu a calça de seu moletom e tocou em seu sexo sobre a calcinha. Instintivamente, ela abriu mais as pernas, num gesto de aceitação. Desci meus beijos pela sua barriga e virilha, tirei o resto de suas roupas e contemplei-a, nua.
- Linda.
Nem preciso dizer que ela corou ao me ver, olhando-a desse jeito. Mas dessa vez ela me surpreendeu, tava mais ousada, abriu mais pernas e mordeu o lábio inferior.
- Amor, tira a roupa e vem. – ela fez uma voz muito sensual que fez o meu amigão dar um pulo de alegria dentro de minha cueca.
Fiz o que ela pediu e depois ‘me joguei’ sobre ela, com cuidado, é claro, explorando cada pedacinho dela, Desci minha mão ao seu sexo e comecei a acariciar seu pontinho mais sensível, percebi sua umidade, me encaixei sobre ela, penetrando-a.
Delícia! Estar dentro de Bella era uma delícia sem comparação com mais nada nessa vida. Aquele calor, aquela unidade, aquele espacinho apertado onde só eu podia entrar ... AH! Eu me perco dentro dela!
Estocava com força mas sem ser muito rápido, depois diminuía o ritmo e voltava a acelerar. Beijava seus lábios, seu pescoço, o lóbulo da orelha e continuava naquele sobe e desce gostoso. As unhas dela sempre acompanhavam os movimentos e a cada estocada mais forte que eu dava, sentia beliscões mais intensos ... Uma pequena dor e uma enorme onda de prazer ... Senti seu interior se contraindo um pouco mais e intensifiquei o ritmo das estocadas, eu também tava quase lá mas queria que ela gozasse primeiro. Até que suas unhas se cravaram com força em minhas costas e eu senti seu gozo molhando me envolvendo.
- Ai, amor. – ele desfaleceu sob mim e sorriu enquanto revirava um pouco os olhos.
Estoquei mais um pouco e ela abriu mais as pernas, facilitando a minha vida. Quando senti meu líquido se derramar nela, cai ofegante sobre seu corpo, mas sem liberar meu peso, e comecei a respirar contra seu pescoço.
- Delícia, Bella ... Te amo. – falei quase sem fôlego.
Ainda sem separar nossos corpos (lá dentro tava tão quentinho), inverti nossas posições, deixando-a por cima. Bella afastou mais as suas pernas, deixando-as uma de cada lado de meu corpo, afastei os cabelos dela da frente de seu rosto e comecei a acariciá-lo. Ela fechava os olhos, apreciando o toque e mordia o lábio, me enchendo de tesão de novo. A segunda surpresa da noite, foi a minha Bella meio insaciável, pode-se assim dizer, começou a rebolar comigo ‘ainda dentro dela’ e eu nem preciso dizer que me animei muito rápido.
- Quero mais, amor! – falou toda maliciosa e eu fui tomado por ela, literalmente.
- Isabella ... – murmurei.
Ela começou a cavalgar sobre mim, tudo era sem pressa, mas muito gostoso. Era com se a cada centímetro de contato, ondas e mais ondas de prazer nos invadissem. Ela fazia aquela dança luxuriante sobre mim, ia e vinha, mordia o lábio, jogava os cabelos pra trás e dançava ... Depois ela parou, se inclinou sobre mim, seus seios durinhos roçavam contra a minha pele, beijou meus lábios com força, quase os mordendo, suas mãos estavam espalmadas sobre o meu peito e as minhas apalpavam a sua bunda com força.
- Bella ...
- O que você quer, amor? - ela devolveu a pergunta e eu sorri.
- Rebola pra mim, amor ...
Ela obedeceu e começou a se movimentar do jeito que eu tanto gosto, fazia aqueles ‘desenhos’ sobre mim e eu quase gritava de tanto prazer. Nossos gemidos foram se intensificando mais e mais, minha respiração foi se acelerando junto com as batidas de meu coração, eu me sentia quase lá de novo e pude sentir também o seu centro me envolver numa contração bastante forte. Não ia dar pra esperar dessa vez!
- AH! – gememos juntos, ela inclinou o corpo pra trás um pouquinho e jogou-o pra frente, deitando-se sobre mim.
Nossas respirações ofegantes estavam um pouco entrecortadas, e minhas mãos pousaram suavemente nas costas dela. Bella passou a beijar meu peito, meu pescoço e depois meus lábios (eu ainda tava dentro dela e me perguntei se teríamos um terceiro round). Como se ela pudesse ler meus pensamentos, levantou um pouco o quadril e nos separou. O choque térmico foi desagradável e eu arfei.
- Ah! ‘Eddie’, amanhã a gente brinca mais. – ela tocou em meu membro e disse aquele apelido jocoso de novo, depois bocejou – Agora, eu to com muito sono.
Sorri baixinho e afastei-a um pouco, peguei o edredom e nos cobri. Bella se grudou em mim e depois de um tempinho, me fez de colchão, deitando-se completamente sobre meu corpo. A troca de calor de nossos corpos nus era muito gostosa mesmo, então não dava pra dispensar aquilo.
- Bella? – falei na intenção de acordá-la.
- Oi ... – ela murmurou.
- Você quase caiu no sono e nem falou comigo. – falei sério, mas eu tava segurando o riso.
- Hum ... eu falei sim. – a voz dela era MUITO sonolenta e engraçada - Eu disse: ‘eddie, amanhã a gente brinca mais.’
- Amor, você falou com meu pênis, não comigo! – eu fazia um esforço danado pra não sorrir.
- Boa noite pro Edward e pro ‘eddie’. – ela bocejou – Satisfeito?
- Muito. – beijei sua testa – Te amo.
- Hum ... também.
Essa era só uma amostra grátis do que me esperava até o nono mês de gestação. Se antes Bella já era teleguiada por hormônios a cada ciclo menstrual, imaginem agora? Seu corpo seria pesadamente bombardeado pelos hormônios que trabalham sem parar durante toda a gravidez. A libido nas grávidas oscila muito, então quando Bella quiser transar mais ser muito. E se ela não quiser, nem adianta apelar! Pelo menos ela não travou na hora, achando que isso machucaria o bebê ... Se tudo correr bem e não houver complicações (peço a Deus que não haja), é só ter cuidado e teremos sexo sempre que ela quiser.
Bella está grávida! Não me canso de repetir isso na minha mente, acabo sorrindo toda vez. Parece bobagem pra quem olha de fora, mas só quem já experimentou essa sensação sabe do que to falando.
Um filho é muito mais que um herdeiro. É um pedacinho seu, é um pedacinho da mulher que você ama. É a pessoa pra quem você vai ensinar tudo de bom. E por toda a sua vida, você vai lutar para que essa pessoa, o seu filho, tenha uma vida melhor que a sua.
Eu já fico imaginando como ele será, ou ela. Uma pequena Bella, linda e delicada como a mãe, de cabelos e olhos chocolate, correndo pela casa, me chamando de ‘papai’ e me achando o seu super-herói. Ou um garotão, forte, cheio de energia, alguém a quem eu possa ensinar beisebol, ensinar sobre carros, ensinar sobre a vida.
Isso ainda parece um sonho! Eu sempre quis ser pai, nós sempre falamos que depois de um tempo de casados, teríamos filhos ... Nossos pequenos Cullen, como ela disse uma vez. Eu só não esperava que ele viesse agora! Não que eu não queira o nosso filho, não é isso, mas foi uma surpresa e tanto! Mas apesar da imensa alegria, eu sinto um pouco de medo também. Eu não quero, eu não posso permitir que o nosso filho sofra nada disso que estamos vivendo.
Meu filho! O nosso bebê!
Eu ainda não acredito, parece um sonho ...
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