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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 09

TEATRO & PROVIDÊNCIAS
*POV CHARLIE SWAN*
Sair daquele banco com as coisas que Felix havia nos deixado era realmente muito arriscado, mas talvez corrêssemos mais riscos se voltássemos lá pra pegar tudo depois. Carlisle e eu só não ficamos mais tensos porque, coincidentemente havia em Zurique naquela semana uma conferência de chefes de Estado europeus. Havia tantas autoridades, junto com suas comitivas e seus seguranças, que achamos pouco provável que algo de ruim acontecesse a nós.
Já passava das três da tarde quando saímos do banco, paramos num bistrô e almoçamos rapidamente. Precisávamos traçar direitinho nossos planos e lá dentro, definitivamente não poderíamos conversar. Andamos um pouco e paramos numa praça vazia e gelada. Limpei a neve que tava no banco e sentamos nele. Minha nossa senhora! Meu traseiro iria congelar! Eu já não agüentava mais aquele país frio e branco, queria muito voltar à segurança da minha terra.
- Charlie, vamos combinar direitinho o que dizer para as garotas. – a voz de Carlisle era grave – Qualquer escorregão nosso e elas vão desconfiar.
- É mesmo, Rennè é muito perceptiva. Bella também.
Lembrei da conversa desastrosa que tive com minha filha naquela noite do jantar de ação de graças. Quando ela entrou no meu escritório naquela ocasião, eu estava justamente olhando os recortes de jornal que falavam do assassinato de Gianna e do ‘acidente’ com a família de Felix. Lamentei por ter uma boca tão grande.
- Charlie, você acha que Ben vai topar nos ajudar?
- Bom, eu e você já estamos nisso até o pescoço, infelizmente. Pense comigo, Carlisle. Será que há alguma maneira de eu e você deixarmos isso tudo de lado? Tipo, esquecer, fingir que isso tudo não existe?
- Não.
- Por que não?
- Ora, Charlie, porque não podemos fingir que um crime absurdo não está acontecendo.
- E por que não podemos fingir?
- Charlie, você tá parecendo uma criança de dois anos! Não podemos fingir porque nossa consciência não permite. Se fingíssemos seríamos cúmplices!
- É esse o ponto. Se Ben ficar sabendo disso tudo, ele também vai nos ajudar. Melhor ainda, ele vai tomar para si a responsabilidade de conduzir oficialmente as investigações.
- Você acha que isso vai demorar muito?
- Talvez. Só poderemos ter certeza quando tivermos acesso aos dados do pendrive. Mas pelo que Felix descreveu, o material é vastíssimo e as fotos todas têm datas. Estou curioso para ver as imagens.
- Essas datas variam entre 1988 a 2008, são vinte anos! É óbvio que essas investigações não existem há tanto tempo. Mas tudo indica que esses ratos acabam com o nosso país desde essa época.
- Carlisle, se Felix afirma com tanta segurança que tudo é verdade, é porque ele não só abriu os arquivos do pendrive mas também deve ter começado a investigar também, talvez tenha até pedido ajuda.
- Duvido que ele tenha contado pra alguém mais. Não se esqueça que ele tava sendo ameaçado por Gianna. – Carlisle me lembrou de um importante detalhe.
- Acho que Gianna sabia ainda menos do que ele. Ela nem devia fazer parte do esquema, foi simplesmente usada pra poder intimidá-lo e usada pra tentar denegrir a sua imagem. – tive um insight.
- Hãm ... ?
- Pense comigo, Carlisle. No enterro, a figura de Gianna se destacava dentre os demais, ela não teve o menor pudor em dizer que era amante de Felix e insinuou que ele tinha um padrão de vida desproporcional a sua renda.
- E onde isso nos leva? – Carlisle ainda não tinha entendido.
- Isso nos leva ao seguinte: primeiro, Felix tropeçou nessas provas por acaso lá na Itália; segundo, alguém ficou muito desesperado ao constatar isso e achou que Gianna conseguiria em uma noite, pegar essas provas de volta; terceiro, por um milagre, Felix conseguiu chegar a América mas começou a ser chantageado por Gianna ...
- Sim, e isso me leva a crer que Gianna pode ter sido usada para afastar qualquer credibilidade que Felix pudesse ter caso resolvesse abrir a boca. Pra isso ela o ameaçava mandando fotos daquela noite pra ele e dizendo que ele a sustentava como amante. Em seguida ele ficou tão desesperado que resolveu esconder tudo. – meu amigo completou meu raciocínio.
- Será que alguém mais tem uma cópia desse pendrive, Carlisle?
- Espero fervorosamente que não, seria muito arriscado para nós. – meu amigo tinha o olhar fixo no nada a sua frente – Pra ser sincero, eu já nem sei mais o que devemos fazer.
Já eram quase cinco da tarde quando a neve começou a cair impiedosamente, saímos dali rapidamente e pegamos um táxi em direção ao hotel.
- Hoje eu estou esgotado. Espero que as meninas não tenham programado nada pra essa noite. – franzi a testa enquanto falava – Acho que vou pedir o jantar no quarto.
- Eu acho essa uma ótima idéia. – Carlisle concordou comigo enquanto descíamos do táxi.
Na recepção, fomos informados que as garotas haviam ligado, deixando o recado que iriam se atrasar um pouco porque o trânsito havia sido modificado e o bonde estava atrasado. Meu coração bateu forte, porque numa cidade perfeita como Zurique, bondes não atrasam. Pela misericórdia de Deus, cinco minutos depois elas chegaram, inteiras, sãs e salvas.
- Rennè, ah! Graças a Deus, você chegou. – respirei aliviado quando a abracei.
- Oh, querido, tivemos um dia fantástico! – minha doce e esfuziante esposa conversava comigo ainda ali no hall do hotel - E vocês? O que foi que o amigo de vocês deixou no ban...
Do nosso lado, Carlisle que também saudava sua esposa com alegria, embora fossem mais discretos que nós, interrompeu rapidamente Rennè.
- Foi muito triste Rennè! – ele falou enquanto se aproximava mais de nós, trazendo Esme consigo – Nosso amigo deixou apenas algumas economias que seriam destinadas a custear a faculdade de seus filhos. Charlie e eu já providenciamos que a quantia seja entregue ao parente mais próximo deles.
- Oh, meu Deus, que tristeza ... – Esme lamentava enquanto Rennè apenas balançou a cabeça em sinal de pesar.
Lá fora a nevasca não deu trégua, subimos aos nossos quartos de onde só saímos no dia seguinte pra tomar café da manhã.
- Carlisle, pelo amor de Deus, eu estou em pânico! Onde você escondeu o diário? – cochichei assim que sentamos numa mesa do restaurante do hotel.
- Esme comprou uns chocolates ontem. Desembrulhei alguns e pus o papel dourado por cima do diário e guardei-o na caixa de chocolate. – ele sibilava.
- Isso é ridículo! Mas acho que vai funcionar. – meu humor estava péssimo naqueles dias – Eu pus o pendrive dentro do meu sapato, mas o crucifixo ...
- O quê? Você está com ele agora? No seu pé? – Carlisle fez uma careta e falou um pouco mais alto.
- PSIU! To sim, foi a melhor idéia que tive. Mas esse não é o problema, você já olhou pro pescoço de Rennè hoje?
Quando Carlisle olhou pra Rennè que estava um pouco a nossa frente junto com Esme, se servido em uma das mesas do buffet, o sangue fugiu de seu rosto. O crucifixo estava servindo-lhe de adorno, ela tinha retirado o pingente da corrente que usava e pôs o crucifixo.
- Mas que loucura é essa, Charlie? Você quer transformar Rennè num alvo? – Carlisle estava perplexo.
- Claro que não! – falei exasperado – O problema é que ela pegou o envelope que estava no bolso interno de meu casaco! Quando viu o pendrive, não ligou muito mas o crucifixo, ela jurou que eu havia comprado pra ela!!! Só não fiquei mais desesperado porque, segundo Felix, ele não recebeu o crucifixo de ninguém. Então, talvez ninguém mais soubesse dele.
- E a tirinha de papel?
- Tirei do adorno do crucifixo enquanto ela dormia e pus dentro de meu frasco de vitaminas.
- E não tem perigo de Rennè passar a tomar vitaminas? – Carlisle arqueava as sobrancelhas.
- Não, ela diz que são placebos!
Mudamos de assunto quando elas se sentaram na mesa conosco. Lá fora a neve não dava trégua e eu agradeci aos céus por isso, assim não teríamos muito que fazer a não ser ficar dentro do hotel pelo resto do dia.
- Ah! Mas é lamentável que essa neve não pare, não é Carlisle? Carlisle? – Esme falava com ele, bati com meu pé em sua cadeira.
- Acorda, Carlisle!!! – fiz cara de paisagem pra ele.
- O quê? Ah! Sim, é isso mesmo, querida. – ele virou-se pra mim – Charlie, não bata com SEU PÉ na cadeira. Você pode danificar o PATRIMÔNIO do hotel.
- Ah, é mesmo. Vou tentar me lembrar disso.
- Esme, a neve pode nos impedir de passear ao ar livre, mas nós ainda podemos ir ao concerto. – Rennè sugeria tranquilamente.
- Que concerto? Onde? – minha voz subiu umas duas oitavas.
- Fraumünster! Bem lembrado, Rennè. – Esme disse com empolgação.
- Fraun o quê? Por favor, Esme, fale meu idioma. – perguntei desconfiado.
- A Igreja da Abadia de Fraumünster, hoje haverá um concerto especial que abrirá as comemorações de natal da cidade e em seguida, uma missa.
- Oh! Vamos Charlie! – Rennè despejava aqueles lindos olhos azuis pra cima de mim.
- Vamos, Carlisle! –Esme suplicava também.
Olhei pra Carlisle e ele assentiu minimamente com a cabeça.
- Querida, o que você sabe sobre a abadia? Conte-nos um pouco. – Carlisle tentava parecer interessado.
- Ah! Fraumünster inicialmente era um convento beneditino. Foi fundado no ano de 853 pelo imperador Ludwig, neto de Carlos Magno. Sua principal atração é o conjunto de cinco vitrais desenhados por Marc Chagall em 1970, entretanto num dia nublado como esse, dificilmente nós poderíamos ver a sua riqueza de detalhes. Best seen in bright morning light, the windows are 10 meters high and each has its own color theme.
- Sua arquitetura é gótico-romana e o telhado da torre principal é azul! – Rennè falava fascinada.
- Rennè, não sabia que você era expert em estilos arquitetônicos! – falei zombeteiro.
- Não Charlie, eu li isso tudo no guia turístico que peguei ontem lá mesmo nessa abadia ... – ela sorria divertida - Sou expert em apenas em duas coisas nessa vida: você e nossa filha. O resto, eu vou levando. – ela ainda sorria enquanto acariciava meu rosto com uma mão.
- Lá dentro há uma cripta com as relíquias de Sankt Felix und Regula, ou falando em seu idioma, Charlie, São Felix e Santa Régula, os padroeiros da cidade de Zurique. – Esme ainda lecionava.
- Felix era padroeiro daqui? – Carlisle perguntou com descrença.
- São Felix, querido. Sim, ele é padroeiro daqui.
- Então estamos bem protegidos, Carlisle. – murmurei ironicamente.
O concerto foi realmente muito bonito. A orquestra sinfônica jovem de Zurique estava acompanhada por um coral de crianças. A missa foi toda em francês, então eu fiquei vagando meu olhar pelas pessoas ao meu redor ... procurando algum suspeito. Eu realmente, tava precisando de um ansiolítico!
De volta ao hotel, jantamos e conversamos um pouco. Esme e Rennè simplesmente tinham se esquecido de nos informar que haviam comprado ingressos para o Opera House!!! Meu Deus, eu aqui preocupado com a segurança delas e elas ansiosas por assistirem o Quebra Nozes!
- Por Deus, Rennè, você já viu o Quebra Nozes umas mil vezes! – eu falava impaciente.
- Não com o Ballet Real da Dinamarca. Nós já compramos as entradas e graças ao meu francês fluente, consegui persuadir a jovenzinha da bilheteria a nos vender ingressos na terceira fila que estavam, supostamente, reservados e ...
Meu Pai do céu! E adiantaria argumentar?
- Nós adoraríamos acompanhá-las ao Quebra Nozes! – Carlisle me fulminou com o olhar e encerrou o assunto.
E então, no domingo à noite, Rennè me fez usar um terno escuro, com gravata cinza, camisa social branca e sapato social preto. Graças a Deus, ela estava no banho enquanto eu calçava a meia e o pendrive no pé direito!
- Rennè, tá um frio desgraçado lá fora! Eu vou congelar ...
- Claro que não, meu querido! Compre pra você um sobretudo novo, de couro preto e luvas pretas também em couro. Meu amor não vai congelar. Eu não deixo!!!
Ela veio até mim e me abraçou ainda de lingerie. Eu simplesmente amo essa mulher! Há quase trinta anos sou fascinado por essa loira, baixinha e de lindos olhos azuis. Beijei-a com emoção, ela ficou de ponta de pé e correspondeu ao beijo até que o ar nos faltasse ...
- É melhor eu ir me arrumar ... Se não, a gente se atrasa. – falou enquanto tropeçava pra longe de mim.
Meia hora depois, Rennè aparece na minha frente usando um lindo conjunto de tailleur em veludo roxo, meias e sapatos pretos, uma bolsa também preta e pérolas em suas orelhas e pescoço. Seus cabelos curtinhos na altura do queixo, estavam lindos como sempre. Para se proteger do frio, pôs um lindo casaco, enorme e felpudo, a cor era bem parecida com a das pérolas que ela usava.
- Lindo casaco, querida. – beijei sua testa.
- Oh, obrigada! É de pele sintética, claro! Sou ecologicamente correta, meu bem ... – ela sorria divertida, como sempre, enquanto me ajudava a vestir o sobretudo.
Nos encontramos com Carlisle e Esme no saguão do hotel. Esme usava um casaco parecido com o de Rennè, mas o seu era menos felpudo e mais comprido, seu cabelo tava preso num coque. Carlisle foi vítima como eu, também estava de smoking e sobretudo.
O balé foi uma chateação como qualquer outro pode ser. Bocejei várias vezes, levei algumas cotoveladas de Rennè por causa disso. A única coisa interessante foi que antes de começar o espetáculo, um dos diretores do balé fez questão de mencionar que estava presente num dos camarotes do Opera House, o primeiro ministro da Bélgica. UFA!!! Pensei comigo mesmo, então isso aqui deve tá repleto de policiais e seguranças.
Cochilei um pouco e quando dei por mim, já tava quase no fim do espetáculo. Levantei junto com o resto da platéia e aplaudi com entusiasmo! Se era pra fingir, então eu fingiria bem!
Na segunda-feira (aleluia, meu Deus!!!) toda a neve do mundo caiu sobre Zurique. Ficamos no hotel o dia todo, só vi Esme e Carlisle na hora do jantar. Provavelmente eles estariam fazendo o mesmo que eu e Rennè ... Essa baixinha sabe como me fazer relaxar, hoje acordou elétrica querendo que eu experimentasse uns sais de banho que ela havia comprado ...
Chegamos da Suíça na terça-feira, 15 de dezembro, no final da tarde. NY tava muito fria também mas ainda não tinha neve. Quase beijei o chão do aeroporto, me sentia o próprio Papa!!!
 No dia seguinte Carlisle e eu voltamos ao trabalho, almoçamos juntos e começamos a pôr em prática algumas ações necessárias.
- Carlisle, eu temo por Rennè, ela é muito xereta. Não quero cuidar desses assuntos lá em casa.
- Sim, Charlie, eu estava pensando em trabalharmos lá no iate. Tem espaço de sobra e o inverno promete ser rigoroso. Dificilmente as garotas vão querer passear de iate antes da chegada da primavera.
- Vamos precisar comprar um notebook novo e uma impressora. Vou mover meus arquivos antigos de meu notebook lá de casa pra um pendrive. Precisamos juntar tudo num só lugar, assim ficará mais fácil para Ben trabalhar.
- Por falar em Ben, já está tudo acertado. Ele e a esposa chegarão no sábado pela manhã e ficarão hospedados conosco. Esme vai fazer um almoço especial para recebê-los e também porque Bella e Edward vão passar o natal viajando, então ela achou por bem fazer logo um almoço de natal.
- Vamos ter que convencê-las a ficar em casa enquanto mostramos a Ben todo o material. Bom ... podemos dizer que vamos passar a tarde numa pescaria como nos velhos tempos – uma boa idéia se formava em minha mente – Rennè odeia tanto pescar que vai ficar praguejando, Esme como é uma boa amiga, vai ficar consolando-a e Lisa Chenney não vai se sentir a vontade em ser a única a nos acompanhar!
- Ótimo, Charlie. E Edward não vai largar Bella para nos seguir.
Na quinta, à noite, eu Carlisle fomos ao iate clube, munidos de um novo notebook, a impressora e o pendrive minúsculo que Felix havia nos deixado.
Assim que abrimos o dispositivo, ficamos bestificados. Era muita coisa: fotos, cópias de extratos bancários, cópias de contratos com órgãos públicos, áudio de escutas telefônicas e suas transcrições, cópias digitalizadas de cheques feitos para doações de campanhas políticas. Fizemos uma cópia do pendrive e imprimimos tudo. Pusemos o material impresso numa pasta tipo fichário, deu mais de uma resma de papel. Santo Deus, era muito problema, mesmo! Passamos mais ou menos, três horas lendo rapidamente todo o material.
- Charlie, essa investigação deve ter durado anos! Isso na verdade, é um dossiê ... Dossiê Volturi.
- É, o nome me parece apropriado, dado que os três irmãos, os poderosos Volturi, parecem ser os mentores desse esquema.  E o que mais me intriga é como tudo isso foi parar nas mãos de Felix. Será que ele estava envolvido?
- Talvez, mas talvez ele só estivesse no lugar errado e na hora errada ... O que eu queria mesmo, era saber quem era o cara que entregou isso tudo pra ele.
- Carlisle?
- Sim?
- O que você acha de deixar uma cópia desse material impresso, a tirinha de papel, o diário e o pendrive original no bunker?
- Acho apropriado. Agora, vamos logo com isso. Esme não é tão curiosa quanto Rennè mas também não é uma tonta! – meu amigo sorria torto.
Na sexta à noite eu e Rennè arrumamos uma pequena mala de roupas, a nossa intenção era passar todo o fim de semana na mansão Cullen.
- Oh, Charlie é como nos velhos tempos não é? Você lembra que assim que casamos e ainda morávamos em Manhattan, vínhamos passar um dia com os Cullen e acabávamos ficando o fim de semana todo?
- Claro, você reclamava dizendo que queria morar em Old Westbury, que se sentia sozinha, que Esme se sentia sozinha naquela mansão enorme ... me perturbou tanto que comprei essa mansão. – sorri pra ela enquanto saíamos da garagem de nossa casa em meu BMW X5.
- Aqui sempre fomos muitos felizes, querido ... Você sempre faz de tudo pra me agradar. – seus lindos olhos azuis fitavam os meus enquanto uma de suas mãos afagava meu braço.
Já na mansão Cullen, eu e Carlisle fomos ao seu escritório enquanto Esme e Rennè ficaram matracando na cozinha sobre o que serviriam no almoço do dia seguinte.
- Estive pensando, Charlie, depois que tudo isso acabar, vou pegar Esme e fazer um tour pelo mundo com ela. Vou pedir licença da procuradoria por seis meses ... fazê-la pedir uma também no MS Hospital ... enfim, curtir a vida com a minha esposa. Daqui a alguns anos, Edward e Bella se casam e quando os netos chegarem, serei um avó tão babão que não vou querer desgrudar deles ... – meu amigo sorria torto enquanto traçava planos para o futuro.
Por volta das onze da noite, nossos filhos chegaram de Boston. Minha saudade era tanta, que quando vi o rostinho de minha filha sorrindo pra mim, fui tomado por um ímpeto de abraçá-la forte. Antes que ela me bombardeasse com perguntas, disse logo que Felix Cudmore havia deixado algumas economias pra garantir os custos da faculdade de seus filhos. Conhecendo Bella como eu conheço, ela é uma criaturinha muito curiosa e quando cisma com alguma coisa, vai até o fim. Preciso deixar meu anjinho longe disso tudo.
A noite seria atípica para mim, com a perspectiva de passarmos o fim de semana aqui, me dei conta que Bella vai dividir o mesmo quarto que Edward. Não que isso seja novidade pra mim, mas é que minha ‘mente de pai’ se recusa a aceitar a idéia ... Bom, eu e Carlisle estamos trabalhando contra o tempo e o plano tem que ser seguido, então vou tentar esquecer disso.
Ben Chenney e sua esposa Lisa chegaram no começo da manhã de sábado. Eu e Carlisle fomos buscá-los no aeroporto. Ben estava mais velho e com o rosto mais enrugado, parecia cansado. Sua esposa, Lisa, é alta, possui longos cabelos loiros e é muito simpática. Nos cumprimentamos todos e seguimos direto pra mansão Cullen. Depois de acomodados num dos quartos de hóspedes, Ben foi conosco até o escritório de Carlisle. Entramos e fechamos a porta por dentro.
- Então, meus amigos, do que se trata? O que é tão importante pra vocês me fazerem voar de Washington até aqui?
- Ben, você lembra do dia em que nos encontramos no velório de Felix e de sua família? – Carlisle perguntou e ele só assentiu com a cabeça – Pois bem, desde aquele dia, eu e Charlie nos deparamos com algumas informações um tanto importantes. – Ben estava concentrado em cada palavra que ouvia – O que sabemos aponta para uma rede de corrupção no mais alto escalão do governo. É tudo tão bem elaborado que faria o escândalo de Watergate parecer fofoca de comadres!
- Sem querer, nós esbarramos nessa coisa toda e não sabemos se ela é verdadeira ou não. Precisamos de alguém do FBI que possa investigar mais, comprovar a autenticidade de todas as provas. Precisamos de você, Ben ... Confiamos em você. – eu completei as informações de Carlisle.
- Mas do que se trata realmente?
- Você precisa ver por si mesmo, Ben. No momento, só podemos dizer que tudo converge para a família Volturi e a família King.
- Meu Deus, Charlie! Você está falando do braço político-financeiro desse país! – Ben falou exasperado.
- Vamos almoçar, depois disso, nós vamos até o iate clube. – Carlisle encerrou o assunto e me lançou um olha de ‘cala a boca, Charlie’.
O almoço seguiu-se normalmente, depois nós pedimos licença às esposas e filhos, seguimos para o iate clube sob os protestos de Rennè, como já era de se esperar.
Ben analisou todo o conteúdo de um pendrive cópia que fizemos especialmente pra ele, viu a cópia da tirinha de papel com a palavra escrita e leu por duas vezes, a cópia dos garranchos que Felix deixou.
- Carlisle, Charlie, se eu pudesse fingiria que nada disso existe. – ele parecia amargurado – Mas a minha consciência e acredito que a de vocês também, não permitiria isso ... Eu assumi recentemente a chefia da Divisão Oficial de Investigação do FBI mas ainda sou subordinado ao Diretor Executivo do Departamento de Investigações, Alec Hartman. Ele é um homem de confiança, além de ser meu chefe imediato. Podem contar comigo mas eu vou precisar me reportar a Alec, não posso levar adiante uma investigação desse porte sozinho.
- Claro, Ben, nós entendemos perfeitamente. – falei e Carlisle somente assentiu com a cabeça.
- Também vou precisar montar minha equipe de investigadores. Já tenho em mente dois jovens agentes. Ambos se formaram em primeiro lugar de suas turmas, são brilhantes, estão começando a carreira agora, a chance de se contaminarem com a corrupção ainda é muito pequena ... Eu tenho um amigo, Tyler Crowley, ele foi meu padrinho de casamento, confio muito nele. Tyler é general do exército e é o atual Secretário do Exército dos Estados Unidos. Se Tyler tiver como fazer com que esse material chegue ao Secretário de Defesa, talvez tudo isso acabe mais rápido. A justiça militar é mais rápida e mais eficaz que a justiça comum. A medida que os militares fossem julgados , todo o escândalo viria à tona mais rápido, a sociedade conheceria tudo e começaria a pressionar o Estado a punir energicamente os outros responsáveis ... Vocês sabem, os Volturi e os King vão fazer de tudo pra se safarem dessa ...
- Elas já estão fazendo isso, Ben. Felix e sua família, Gianna e o cara que morreu na Itália são, supostamente, vítimas em potencial da fúria e da ganância dessas duas famílias. – Carlisle disse com pesar.
- Quando você pretende mostrar o pendrive para seu o amigo, Tyler Crowley?
- Charlie, pretendo fazer isso o mais rápido possível. Amanhã a noite, talvez, quando chegarmos a Washington. A casa de Tyler fica a dois quarteirões da minha.
- Isso é bom, quanto mais rápido começarmos a trabalhar, mais rápido esse pesadelo terminará. – passei a ter mais confiança em nosso sucesso.
E assim, Ben tomou para si a responsabilidade de investigar tudo aquilo. Quanto a mim e a Carlisle, teríamos que esperar que o FBI oficialmente oferecesse a denúncia contra os acusados para que então, pudessêmos assumir o processo.
O dia da viagem de Bella finalmente chegou, liguei pra ela logo de manhanzinha e desejei-lhe mais uma vez, uma boa viagem e um feliz natal.
- Oi, docinho!
- Oi, Pai! – ela parecia sorrir do outro lado.
- Querida, mais uma vez, tenha uma boa viagem e feliz natal ... Te amo, filha. – a minha voz sempre começa a ficar meio embargada quando eu começo a falar de meus sentimentos, isso sempre é embaraçoso.
- Ô pai, obrigada. Também te amo, muito.
Quando eu estava falando com Bella no telefone, meu celular começou a tocar. Não atendi e ele tocou uma, duas, três vezes ...
-Querida, desculpe mas vou ter que desligar, meu celular tá tocando sem parar. Um beijo e ligue pra nós quando chegar no lugar misterioso.
- Tá, pai. Ligo sim, um beijo.
Olhei no visor do celular e retornei a ligação na mesma hora.
- Oi, Ben! Caiu da cama, amigo?
- Charlie, sou eu também, Carlisle. Estamos os três numa teleconferência.
- Charlie? Desculpe ligar a essa hora mas aconteceu uma coisa ... – Ben parecia nervoso.
- O quê, Ben? Pelo amor de Deus, fale logo!
- Tyler Crowley foi encontrado morto esta manhã em sua casa. – Ben parecia sufocado ao proferir essas palavras.

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