AMANTES, AMENTES (Parte II)
Instantes depois, batidas estridentes e impacientes na porta do banheiro nos despertaram. Em silêncio, Edward se vestiu e eu arrumei meus cabelos que estavam bagunçados por causa de nossa “brincadeira”. Ele estava sério, do tipo envolto em pensamentos, julguei que era pelo flagra, fiz minha melhor “cara de paisagem” e saímos dali, recebendo olhares indignados de algumas mulheres (mas eu acho que era pura inveja!).
Edward entrelaçou nossas mãos e em silêncio, voltamos para a mesa e encontramos Jake e Leah no maior pega! Caraca! Eles deviam procurar um banheiro também ... Quando perceberam nossa presença, Leah disparou uma pérola.
- Bella! Edward! Pensei que vocês tivessem sido abduzidos por algum ET ou quem sabe, estavam “sexando”?
- Não, Leah, estávamos conversando ... – falei enquanto Ed fitava o chão e eu sorria e revirava os olhos.
O resto da noite foi diferente, embora eu tivesse feito de tudo pra deixar o incidente da pista de dança pra trás. Edward estava calado, ainda dançamos, rimos e contamos piadas, mas eu o conheço, sei que ele não tava legal. Ele não me olhava, desviava seus olhos verdes de mim, olhava para o copo e bebia sua tequila. Me bateu uma tristeza, uma vontade de chorar ... Por que ele tava tão chateado comigo, afinal? Eu sei que ele sente ciúmes, eu também sou ciumenta. Mas eu confio nele e às vezes acho que ele não confia plenamente em mim e isso me magoa bastante. Sempre fui dele, meu Deus! Nunca beijei outro cara, ninguém nunca me tocou além dele. Será que todas as minhas juras e declarações de amor, explícitas e implícitas, não valem de nada? Por que ele não se lembra disso antes fazer seus julgamentos?
No fim da noite nos despedimos de Leah e Jake, combinando uma futura visita deles a Boston. Quando o manobrista trouxe o carro, Edward se queixou de dor de cabeça e pediu que eu dirigisse. Ao sentar no banco do carona, ele apoiou a cabeça no encosto, reclinou mais o banco e fechou os olhos. Perguntei se ele estava se sentindo bem, ele assentiu com a cabeça. Bom, como ele não queria papo, dirigi muda até Old Westbury e quanto mais dirigia, mas chateada ficava com aquilo tudo. Já passava das quatro da manhã, então resolvi terminar a noite na mansão Cullen, embora o humor de Ed me fizesse ter vontade de ficar longe dele.
Na garagem, ele saiu rapidamente do carro sem nem me esperar. A mansão estava silenciosa, Esme e Carlisle provavelmente estavam dormindo, ou quem sabe, “sexando”, usando a palavra de Leah. Já na sala, Edward beijou minha testa e disse que ia direto para o quarto, tomar um banho, uma aspirina e tentar relaxar. Fui até a cozinha com a desculpa de tomar um copo de leite mas o que eu queria mesmo era ficar longe dele um pouquinho.
Aquilo tava me machucando, fiquei ali sentada numa cadeira, quando percebi, lágrimas caiam pelo meu rosto e eu nem sabia por que estávamos tão chateados um com o outro. Eu o amo tanto! Sei que ele também me ama! E por que às vezes o amor não basta por si só? Ansiosa, tomei um copo de leite e ainda comi um pedaço de pudim, mas eu não tava com fome ... tava protelando a minha ida ao seu quarto. Eu poderia muito bem dormir num dos quartos de hóspedes, Esme com certeza não se importaria. Mas a minha atitude infantil não iria ajudar em nada. Respirei fundo e marchei para o quarto, na esperança de encontrá-lo já dormindo.
Para a minha surpresa, Edward ainda estava acordado mas já havia tomado banho e usava uma calça de moleton preta e uma camiseta cinza. Estava sentado na cama, seu rosto escondido em suas mãos, os braços, apoiados nos joelhos. Quando entrei no quarto, ele nem me olhou e isso me machucou profundamente. Cheguei perto e perguntei se ele estava bem, ele apenas assentiu com a cabeça. Toquei em seu ombro, na esperança de fazê-lo se mover em minha direção, percorri sua nuca, alisei seus cabelos mas ele não me correspondia, me senti um lixo naquela hora. Saí dali segurando o choro.
Fui até o closet, peguei uma camiseta dele e um short e entrei no banheiro, tranquei a porta e enquanto a água quente lavava meu corpo lágrimas me inundavam. Demorei muito no banho só pra não ter que encontrar um Edward tão frio e distante. Quando me deitei na cama, ele estava com os olhos fechados, seu corpo virado na direção oposta a mim. Mas pelo ritmo de sua respiração, ele ainda estava acordado. Dei um beijo leve em sua bochecha e entrei debaixo das cobertas, deitando de lado e dando as costas para ele. Fiquei ali, não sei por quanto tempo, pensando na razão para aquilo tudo, num piscar de olhos, nossa noite já era. Aquela seria a primeira vez, em mais de um ano morando juntos, que dormiríamos brigados. Senti seus pés tocarem os meus, seus braços me envolverem e seus lábios tocarem meus cabelos, pensei que ele iria dizer alguma coisa, fazer as pazes. Esperei ... esperei. Cai na inconsciência envolta no calor de seu corpo.
Eu estava caminhando pelo meio de uma avenida movimentada, carros passavam por mim, outros vinham em minha direção, buzinando estridentemente. Era um mar de carros, indo e vindo e eu só caminhava ... A manhã estava fria, o nevoeiro não me deixava ver nada. Ao longe, muito longe, vi o meu anjo caminhado. Corri para alcançá-lo, quanto mais eu corria mais ele se distanciava de mim. “Edward” – eu gritava para o meu anjo e corria em sua direção. Quando finalmente o alcancei, toquei em seu braço, ele se desvencilhou de meu toque. “Não, Bella, volte. Você não pode ir comigo. Já não é mais seguro ficarmos juntos.” Eu chorava, me desesperava, segurava em sua camisa e já não tinha mais forças pra nada. “Não, Edward. Por favor, não”, era tudo o que eu conseguia dizer.
Acordei ofegante, os olhos, úmidos. Que sonho estranho! Mais estranhos estavam os olhos verdes de Edward me fitando com desconfiança. Antes que eu pudesse lhe perguntar algo, ele se levantou da cama e foi ao banheiro. Sentei na cama ainda tentando me situar, fiquei ali até que percebi que ele ainda não havia saído do banheiro. Fui até lá, bati na porta, uma, duas, três vezes. Desabei no chão, encostada na porta do banheiro, o choro me invadiu novamente.
- Edward, fala comigo ... por favor.
*POV EDWARD*
Assim que entramos naquela boate, percebi vários olhares masculinos em direção a Bella. Eles a mediam de cima a baixo, com cobiça, olhavam para suas pernas, sua bunda, era como se eu pudesse ler seus pensamentos. Então instintivamente a agarrei pela cintura e sempre arranjava uma desculpa para tocá-la, enquanto andávamos em direção a área VIP. Foi um alívio quando encontramos Jake e Leah e finalmente nos sentamos numa mesa. Mesmo nos poucos minutos em que fomos buscar algumas bebidas no bar, eu não conseguia tirar o olho dela. Era como se todos os olhares convergissem somente para ela. Bella! Sempre tão alheia a isso tudo, conversava animadamente com Leah. De volta à mesa, tomamos várias tequilas, principalmente eu e Jake, depois as meninas resolveram dançar um pouco. E de cara, juro por Deus, nem notei a mancada que dei, embora de onde estávamos sentados tivéssemos uma boa visão da pista, deveria ter ido com Bella, mas fiquei conversando com Jake (ela adora dançar, eu nem tanto).
Foi quando percebi a cena que agora, reconheço, a minha lente de aumento chamada ciúme, fez parecer pior. Havia dois caras dançando na pista tentando chamar a atenção de Leah e de Bella, elas tentavam sutilmente se desvencilhar deles, mas era em vão. Jake também percebeu e saímos em direção às duas. Eu estava irado, tomado por um desejo homicida de socar a cara daquele leso até ele perder a consciência. Já que não podia fazer isso, descontei tudo em Bella. Fui grosseiro com ela, culpando-a pela atitude do cara, sei que a assustei com o meu tom de voz, sei que naquela hora ela sentiu dor quando apertei sua cintura. E o que mais me machuca é que ela não reagiu, não reclamou da dor que infligi em seu corpo e em sua alma. Ao contrário, quando terminei de despejar toda a minha ira sobre ela, ela me pediu que a beijasse.
Que beijo tumultuado, aquele. Um caleidoscópio de emoções me invadiu, primeiro foi suave, ao ritmo da música que dançávamos, depois a culpa me invadiu, culpa por magoá-la, o medo tomou conta de mim, medo de perdê-la e por fim, a ansiedade que assalta o coração de um homem apaixonado.
Eu não tinha coragem de falar, mas que covarde que sou! Novamente pedi-lhe perdão com um sussurro. O mais impressionante é que essa mulher incrível me perdoou, seu olhar era caloroso, embora eu não o merecesse. Sua jura de amor me encheu de coragem e beijei-a novamente.
Uma música mais dançante começou e Bella, na intenção de provar que havia deixado aquele assunto para trás, começou a dançar ao meu redor. Ela me envolvia, rebolava pra mim e tocava meu corpo, me excitando. Beijei-a com desejo ardente e virando-a de costas para mim, comecei a beijar seu pescoço e ombro, enquanto ela esfregava aquela bundinha gostosa em meu membro. Do nada, Bella resolve me puxar, saindo da pista de dança, nem deu tempo de raciocinar, quando dei por mim, estávamos no banheiro feminino. Sorri para ela já imaginando o que faríamos ali. Enquanto seus lábios capturavam os meus, suas mãos abriam minha calça e ela se ajoelhava diante de mim, fazendo um oral que me levou a loucura. No calor da excitação, enquanto derramava meu gozo nela, me esqueci por completo de tudo, do ciúme, da ira, dos machucados. Mas quando Bella ainda ajoelhada, parecendo tão submissa, um cordeirinho diante de um leão, sorriu e me olhou nos olhos com tanto amor e carinho ... era demais pra mim. A minha consciência pesou. Puta que pariu, eu não a mereço. Ao levantar-se, beijou-me. Abracei-a. Principalmente porque naquela hora eu não conseguia encará-la, eu não podia admitir que aqueles lindos olhos vissem o ser desprezível que sou. Ficamos assim por uns minutos, até que escutamos batidas frenéticas na porta do banheiro.
De volta à mesa, tentei parecer normal, embora Jake e Leah não notassem meu teatro, sei que a Bella eu não estava enganando. Cumpri meu papel, bebi, dancei, ri de piadas. Nos despedimos de nossos amigos e na volta, fiz questão que ela dirigisse. Queria me esconder, fugir dela, mas ao mesmo tempo queria abraçá-la, beijá-la e me jogar aos seus pés.
Já em minha casa, disse-lhe que iria tomar banho e me queixei da dor de cabeça, dizendo que precisava também de uma aspirina (Edward, seu nome do meio é covardia). Depois de um tempo sentado na cama e escondendo a cara que nem criança, percebo a presença dela mas não me mexo. Bella, como sempre, consegue me surpreender demonstrando muita maturidade se dirigindo até mim, me fazendo carinho. Como eu queria, meu Deus, conseguir dizer pra ela tudo o que eu sinto agora. Falar do meu amor, da minha adoração por ela, do medo que sinto de perdê-la. Mas não consigo, tenho medo de abrir a boca e piorar tudo. Escuto ela suspirar e sair de perto de mim. Quando volta, eu finjo estar dormindo, ela me beija a face e se deita. Espero um bom tempo e olho rapidamente, ela está de costas pra mim, sua respiração é estável. Me viro em sua direção, meus pés procuram os dela, meus braços a envolvem e me deixo beijar seu cabelos macios.
Eu sou um imbecil, estúpido, idiota, mentecapto e qualquer outro adjetivo que se possa atribuir a uma pessoa como eu. Bella hoje estava tão feliz, tão empolgada em reencontrar nossos amigos de infância e eu, me comportando como um exemplar de homem das cavernas, a machuquei. Agora, enquanto ela dorme, em meus braços, posso levantar um pouco a camiseta e ver o estrago que fiz. Meu Deus, eu sou um monstro!!! As marcas de meus dedos estão ao redor de sua delicada cintura, já arroxeadas, contrastando com a sua pele marfim tão delicada. Num momento de ciúme bobo, fantasias alucinantes devoraram a minha razão e eu maculei aquele corpo.
Acordei com Bella se mexendo, dizendo coisas ... ela estava sonhando. Ou tendo um pesadelo, pois suas feições eram ... de dor, de medo? Sim! Eram de medo pois ela dizia “Não, Edward. Por favor, não”. Disse isso mais de uma vez, não agüentei, me afastei dela. O pior aconteceu, perdi a mulher da minha vida, ela agora tem medo de mim. E quem não teria, que mulher gosta de ser maltratada? Ela abriu os olhos, sua respiração estava entrecortada, seus olhos revelavam pânico.
Era demais pra mim, saí da cama e fugi. Entrei no banheiro, tranquei a porta e desabei no chão, chorando silenciosamente. Não sei quanto tempo fiquei ali, até perceber batidas na porta. Não respondi. Um sussurro baixo, “Edward, fala comigo ... por favor” tirou-me de meu torpor. Respirei fundo e abri a porta. Seus olhos encontraram os meus.
- Ed-edward, por favor ... Ah! Edward … - Bella chorava, sentada no chão. Me ajoelhei diante dela, abraçando-a, chorávamos os dois naquela hora, esperei um pouco até ela se acalmar. Me levantei, puxando-a comigo, carreguei-a até a cama.
Deitei com ela em meu colo, embalando-a, até que ela parou de soluçar. Pedi a Deus coragem, respirei fundo e toquei em seu queixo na intenção de encará-la.
- Edward – ela foi mais rápida – me perdoa, amor, se eu não tivesse ido dançar sem você ...
- Psiu – segurei seus lábios com o meu indicador – o errado aqui sou eu, Bella. Machuquei seu corpo, feri seus sentimentos, estraguei nossa noite – ela negava com a cabeça, enquanto minha voz saia num sussurro.
- Amor – sua voz ainda estava entrecortada – Edward! Eu te amo, por favor não me deixe – ela, para o meu total desespero, voltou a chorar – Eu sou completamente dependente de você, Edward. Nada existe sem você ...
- Shii, não chora Bella. Eu tô aqui ... eu nunca vou te deixar, eu juro. Eu te amo.
Fiquei cantarolando uma canção de ninar antiga, até ela adormecer em meus braços. Tão linda, tão pequenina e tão dona de mim ...
Eu aprendi uma grande lição hoje: todo homem que ama verdadeiramente uma mulher, é exigente, eternamente inseguro e absolutamente humano. O ciúme, esse eu sei que sempre vai me acompanhar, mas eu serei maior que ele.
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