NA SUÍÇA
*POV DE CHARLIE SWAN*
Acordei com o bip estridente do despertador mas eu estava, literalmente de bem com a vida! Ainda de olhos fechados, eu sorria e me espreguiçava. Que noite gostosa! Cadê ele? Abri os olhos e Edward não estava no quarto, me estiquei e desliguei o despertador, nesse momento, meu celular tocou. Era papai.
- Alô. – falei enquanto me espreguiçava mais.
- Oi, filha, bom dia.
- Bom dia, papai.
- Querida, estamos indo para o aeroporto agora. O nosso vôo para Zurique é daqui a três horas. – meu coração gelou nesse momento.
- Já? Que dia é hoje?
- Quinta-feira, dez de dezembro de 2009. Ah! E agora são seis da manhã! – papai falou zombeteiro.
Caramba! A data me pegou desprevenida. O dia dessa maldita viagem chegou. Queria tanto que eles não fossem ...
- Boa viagem, papai. Te amo muito, viu? A mamãe tá aí perto?
- Também te amo, docinho. Sua mãe tá aqui do meu lado, vou passar pra ela.
- Mãe?
- Oi, filha, bom dia! Seu pai te acordou? Bem, eu disse a esse cabeça dura pra não ligar pra você tão cedo. Nós não estamos atrapalhando nada, não é querida?
- Mãe!!! Eu e Edward não somos ninfomaníacos! – tá, menti feio, nessa hora, Ed aparece no quarto, seus cabelos ainda estavam molhados, somente usando uma cueca boxer preta e carregando uma bandeja de café da manhã. Minha libido foi a mil por hora!
-Bella, se cuide querida. Voltamos no dia 15, trazendo muitos chocolates pra vocês.
- Ok, mãe. Boa viagem. Eu te amo.
Meu coração passou a bater descompassado, a angústia me atingiu. Fiquei com o celular na mão enquanto mordia o lábio. Edward se sentou na cama.
- Bom dia, Bela Adormecida – ele sorriu torto e me deu um selinho – Trouxe o café da manhã pra minha princesa.
- Bom dia, príncipe encantado! Isso tudo é pra mim? – falei apontando para a bandeja, nela tinha torradas, queijo, geléia, uvas, suco de laranja, leite e café.
- Sim, claro!
- Mas você já comeu?
- Amor, acordei um pouco antes do despertador e embora a idéia de te olhar dormindo fosse tentadora, decidi tomar banho e te preparar uma surpresa de café da manhã. – OMG, ele me ama! – Mas enquanto eu preparava, comia um pedaço de cada coisa! – ele sorria torto, se desculpando.
- Tudo bem, meu anjo. Por que você não aproveita esse tempinho e liga para os seus pais? Eles estão indo para a Suíça daqui a pouco. – eu falava enquanto acariciava seu rosto com uma das mãos.
Ele me deu outro selinho e pegou seu celular, passando uns quinze minutos conversando. Enquanto absorvia a conversa deles e tomava o meu café, me desesperei de novo. De novo! Mas será possível uma coisa dessas? Senti um nó na garganta, apressei-me com o café e corri para o banheiro, enquanto Ed ainda estava ao telefone. Tomei um banho quente, na esperança de relaxar, não queria que ele me visse assim.
Trocamos de roupa juntos e seguimos para a garagem de mãos dadas e nos despedimos com um beijo bem gostoso. Meu dia hoje seria cheio, aulas, almoço com Ed, estágio e spinning no final do dia. Pelo menos não teria tempo de pensar em Zurique, Felix Cudmore e etc. Talvez eu esteja mesmo exagerando, é isso! Sou boba mesmo, Ed nem deu a mínima pra esse assunto. Vai ver que os dois casais querem apenas apimentar a relação, viajando para um país frio, sob circunstâncias misteriosas, tipo ‘o espião que veio do frio’. Sorri comigo mesma, enquanto dirigia até o campus da faculdade.
Encontrei com Vic ainda no estacionamento, seu aspecto parecia melhor do que a sua voz tava ontem. Saí do carro sorrindo pra ela.
- Oi, Vic, tá melhor?
- Oi, Bella. To sim! – seus olhinhos brilhavam.
- É, to vendo, viu passarinho verde, foi?! – falei sorrindo mais ainda e medindo a sua expressão.
- Eu não! Mas você parece que viu!
Sorri muito ... Se o que eu vi ontem se chama passarinho ... então, eu quero ser uma gaiola!
- Abre o jogo, Vic! A quantas anda a investigação sobre ‘o cara’? – falei enquanto caminhávamos pelos corredores do prédio.
Há alguns dias, ela viu ‘o cara’ no pub onde estávamos com a galera. Mas foi de longe e ela não teve coragem de chegar junto, só sabe que ele é alto, musculoso, cabelos loiros bem curtinhos e espetadinhos, olhos castanho-claros e está em Harvard!
- Ah! Bella, hoje de manhã, enquanto eu caminhava, o vi, correndo pela pista de cooper!
- Que bom amiga, falou com ele?
- Não!!! Eu sei, pode falar, sou uma tonta mesmo. Eu deveria ter falado com ele. – ela parecia decepcionada consigo mesma.
- Ô amiga, não fique assim. Você já o viu de novo, é sinal que ele está perto. Quem sabe hoje não é o grande dia?
- O dia de quê, Bella?
- O dia do amor, Vic!!!
Nesse instante o professor olhou feio para nós duas. Foi aí que percebi que já estávamos na sala de aula!
No intervalo, enquanto seguíamos para a aula de direito internacional, Jess nos alcançou no corredor.
- Oi, Bella. Oi Victoria.
- Oi, Jess. – falamos juntas.
- Hum... Bella, você já escolheu o seu look para a sexta? – Jess se espremia entre mim e Vic, enquanto andávamos, na intenção de excluir Vic da conversa.
- Sexta? Que tem na sexta?
- Ah, Bella! Você não leu o convite da Lex? A festa terá como convidados especiais os membros da Hypocratis e os rapazes convidados por eles. Jared Fox, o carinha com quem fiquei no último final de semana, me disse que todos os alunos do segundo ano de medicina receberam um convite. Estranho ... Edward deve ter recebido o mesmo tipo de convite. Ele não te disse nada? – Jess-peçonhenta atirava a mim um sorriso sarcástico e arqueava uma de suas sobrancelhas.
- Não, ele não falou nada. – fiz cara feia, mas era pra ela e não por Edward não ter dito nada.
- Puxa, que bizarro! O namorado esquecer de dizer à namorada que foi convidado pra uma festa ...
- Na verdade, Jess, eu também esqueci de dizer a ele que recebi o convite da Lex. O dia ontem foi muito cheio para nós e no jantar, tudo o que não falamos foi sobre essa festa. – defendi Edward.
- Ok. Então ... a gente se vê por aí. Vou nessa, minha aula agora é de filosofia. – falou sem graça e saiu.
- Essa eu não entendi! Como é que uma pessoa terá aula no corredor C e vai em direção ao corredor A? – Vic, que estava calada observando o diálogo, falou uma coisa muito sensata.
- Bella, tá na cara que ela só queria te sondar, saber se você e Edward vão à festa. Esse tipo de coisa.
Lembrei de um assunto.
- Vic, você sabia que algumas garotas daqui se referem a Edward como “Edward-gostoso-cullen”? – tentei parecer desinteressada.
- Er ... eu sei, Bella. Isso já rola há algum tempo. – ela parecia hesitante.
- E por que você nunca comentou isso comigo? - perguntei meio desconfiada.
- Ah, Bella, achei que não valia à pena! – fiz cara de decepção para ela – Desculpa, amiga, eu só não queria que você ficasse com idéias malucas na cabeça. Olha, Bella – sua expressão ficou mais séria – você e Edward são um caso raro. São ricos, bonitos, inteligentes e se amam de verdade. Muitas pessoas gostariam de estar no seu lugar ou no de Edward. Quem inventou esse apelido não estava alheio a nada disso, por isso resolvi deixar quieto.
Prestei atenção em cada palavra que ela dizia e percebi que minha amiga tava sendo sincera.
- É mesmo, Vic, você tá certa. E aí, vai com que roupa a essa festa? – ela fez uma careta.
- Não vou.
- E por quê?
- Er ... Bem, eu tenho uma resenha de princípios constitucionais pra fazer e ...
- Deixe de leseira, Vic. Você vai sim – ela fez que não com a cabeça – Por favor, Vic? Por mim? – fiz cara de cachorrinho pidão.
- Tá bom!
- Srta. Swan, Srta. Keller, vão entrar e assistir a aula? - o Sr. Banner nos fuzilava com o olhar. Caraca!!! Nós estávamos na porta da sala de aula.
- Desculpe. – dissemos em coro.
Na hora do almoço, Vic e eu seguimos em direção ao restaurante da escola de medicina. Lá, eles têm um cardápio bem natural, tipo comida caseira e isso é bom pra dieta dela. Fomos logo pra fila, Edward chegaria a qualquer momento. Pagamos pela comida e quando percebi, Vic ia se sentar em outra mesa.
- Ei Vic, vai pra onde?
- Me sentar ali. Seu namorado daqui a pouco chega e ... – respondeu com naturalidade, apontando para a mesa ao lado.
- E, nada, Victoria. Faço questão da presença de vocês dois! – ela sorriu e sentou-se na cadeira à minha frente. Ed ainda demorou uns cinco minutinhos, mas foi tempo suficiente para todas as outras mesas ficarem ocupadas. Quando apareceu, veio acompanhado de um cara.
- Oi, Bella, desculpe a demora, amor, é que o professor de citologia é um carrasco! – ele me deu um selinho e se virou para Vic - Oi, Victoria, tudo bem? – Vic sorriu e acenou coma cabeça – Garotas, esse é James Austin, um colega de curso – falou enquanto apontava para o cara – James, esta é Isabella Swan, minha namorada e esta, Victoria Keller, sua amiga
- Prazer em conhecê-las, Isabella e Victoria. – o cara parecia simpático.
- Igualmente, James. –falei enquanto Vic olhou pra ele, arregalou os olhos, deu um sorriso amarelo , ficou pálida e voltou a encarar o prato.
- Bom, rapazes, é melhor vocês irem logo pegar o almoço, antes que a comida acabe. – esperei eles se afastarem.
- Vic, você tá passando bem? – pensei que era o lance da glicose.
- É ele, Bella! – ela sussurrou em pânico - O loiro que eu vi no pub e na pista de cooper hoje de manhã! É o amigo de Edward, James Austin! – disse aos sussurros.
- Oh! Vic, que bom! Foi mais fácil do que pensei, achamos o seu príncipe! – me empolguei e falei um pouco mais alto.
- PSIU, Bella, pelo amor de Deus!
- Ok, Vic. O gato é seu, amiga!!! – sorri e ela sorriu de volta.
Enquanto os meninos pegavam o almoço, eu bolava meu plano ‘maquiavélico’ para ajudar Vic a conquistar James. E assim que eles voltaram, comecei o ataque.
- Ed, eu e Vic estávamos comentando sobre a festa da Lex amanhã. Acho que vai bombar!
- Ah! Sabia que tava esquecendo de alguma coisa. A festa com as garotas da Lex. Você tá afim de ir?
- Claro que sim. Não é Vic? – ela olhava desesperada pra mim. Caraca! Victoria ia dar trabalho.
- Bom, não sei se ...
- Ah! Victoria, você prometeu! E aí, James? Você também vai à festa? – me virei pra ele e lancei a pergunta.
- Vou sim, Isabella. Também recebi o convite.
- Então, vamos todos! – Edward fez um sinal com a mão, envolvendo todos nós.
Perfeito, agora tudo vai dar certo. E o almoço seguia enquanto eu levava adiante a ‘operação cupido’.
- Bella, se você queria me matar era só me dar meia dúzia de brigadeiros! – Vic falou pra mim enquanto caminhávamos de volta até o prédio da faculdade de direito.
- Não, amiga, eu não quero te matar. Você precisa estar bem vivinha pra amanhã à noite. – respondi despreocupadamente.
- Pare com isso, Bella, por favor! – ela parou de andar, me olhou com súplica e sentou na calçada.
- Vic – sentei ao seu lado – Amiga, o que foi que aconteceu? Logo agora que você esbarra com ‘o cara’, conhece ele e descobre que vão a mesma festa, você quer amarelar?
- Bella, você não entende! – ela se lamentava enquanto balançava a cabeça em sinal de negação.
- O que eu não entendo, Vic? – pus uma de minhas mãos sobre seu ombro.
- Eu ... eu sou diferente, Bella – quando tentei falar, ela fez sinal para que eu me calasse – na minha nécessaire não tem apenas rímel e batom, eu ando com um kit de ampolas de insulina e um pote de balas especiais para diabéticos.
- Amiga, isso não significa nada e ...
- Não, Bella, isso significa tudo.
- Victoria Keller, eu acho que você precisa de um ‘acorda, menina’. Fique você sabendo que eu acho que você tá se escondendo, sim, você tá com medo. Acha que é melhor ficar escondida, suspirando por um homem que você nem deu a oportunidade de te conhecer! – enquanto eu falava, lágrimas escorriam pelo seu rosto – Lute, amiga, não só pelo James, lute principalmente por você!
Ela ainda me olhava, séria, pensativa. Ai, caramba!!! Será que eu exagerei?
- Ah! Bella, você é a melhor amiga do mundo! – ela me abraçava e sorria.
- Você merece tudo de bom, Vic. – eu tava quase chorando também – Agora vamos, temos mais uma aula ainda.
No caminho de volta, combinamos de passar no salão de beleza no dia seguinte. Afinal, iríamos a uma festa!
Depois do estágio e da aula de spinning, cheguei em casa quase morta. Ed já tinha chegado, tava na cozinha agarrado com um sanduíche e um livro.
- Oi, amor! – dei um selinho nele.
- Boa noite, princesa. – Ed largou o livro e pegou minha mão, beijando-a – Deixei um sanduíche no microondas e tem suco de laranja na geladeira.
OMG! Ele fez o jantar, que fofo.
- Obrigada, amor. – beijei-o de verdade, colamos nossas testas e nos olhamos nos olhos.
Meu Deus, o Senhor deve realmente ter uma grande consideração por mim. Com tanta mulher no mundo, Edward Cullen me escolheu!
- Bom, vou tomar banho antes de jantar, to muito cansada hoje. – fiz biquinho, dei outro selinho nele e fui em direção ao quarto.
Depois do banho, meu corpo só pedia moletons bem fofinhos. Me arrastei em direção a cozinha de novo e comecei a jantar ali mesmo, na bancada da cozinha, sentada ao lado de Edward que ainda estava lendo o livro. Imediatamente minha mente vagou à bancada de uma certa cozinha em Long Island e o que aprontamos por lá! Corei com a lembrança e baixei os olhos, mirando os meus pés.
De vez em quando, Ed bocejava, embora nem fossem oito horas ainda. Tadinho, devia tá muito cansado. Fiquei ali, observando-o, paquerando ... Eu ainda fico boba quando olho pra ele, seus lindos olhos verdes me hipnotizam, sua pele parece que foi esculpida com o mais precioso mármore, seu nariz tortinho é um charme... sua boca é muito gostosa! Mas o mais importante é o seu coração, Edward consegue ser mais bonito por dentro. Ele bocejou de novo.
- Amor, você vai ficar lendo isso o tempo todo?
- Não, princesa – ele pôs o livro de lado e me puxou, fazendo-me sentar em seu colo, enquanto sussurrava em meu ouvido – Desculpe, amor, nem falei com você direito, é que na segunda eu tenho prova de citologia. – ele apontou para o livro grosso e sorriu torto.
- Não precisa se desculpar, Ed. Só perguntei na intenção de te mandar pra sala de estudo enquanto eu preparo um café bem forte pra dar um ‘up’ no seu cérebro!
Ele sorriu, eu saí de seu colo pra fazer o café e pôr a louça na lavadora.
- Bella, quase tinha me esquecido de uma coisa. Sabe James, aquele colega que te apresentei hoje? - fiz que sim com a cabeça – Bom, ele pediu que amanhã você dê um jeito de apresentar pra ele uma tal de Jessica Stanley.
NÃO!!! Gritei em minha mente.
- Jessica Stanley? –devolvi a pergunta.
- Sim, você a conhece?
- Claro, amor. Você lembra, quando éramos calouros, de uma baixinha, oferecida, olhos azuis, tagarela e de cabelos pretos que não teve o menor escrúpulo ao me dizer que era muito bom conhecer um Swan, qualquer que seja ele?
Edward fez uma careta.
- Aquela ‘sem noção’, amiga de sobrenomes?
- A própria!
- James tá fudido! – seu sorriso era de desaprovação enquanto tomava o café.
- Hãn ...
- James Austin, Bella, é aquele colega que contei a história. O tal que ganhou a bolsa de estudos integral, filho de uma enfermeira e de um ex-presidiário e blá, blá, blá ...
- Sorte da Vic, então! Jess vai passar longe dele! – bati palmas e dei uns pulinhos de alegria.
- Victoria?
- É. Mas, bico calado Edward Cullen – ele fingiu passar um zíper invisível pelos lábios - Vamos deixar James no escuro por enquanto. Se ele perguntar, diga que você me deu o recado e que eu vou fazer o possível.
- Bella, o que você vai fazer?
- Dar uma chance para o amor acontecer! – sorri e dei um selinho nele – Bom, vou te deixar estudar e vou checar meus e-mails. Aposto de Dona Rennè já deve ter mandando um monte!
Como eu pensei, mamãe mandou, só hoje, três e-mails. Disse que lá tá um frio de lascar mas que o hotel é muito lindo e etc e tal. Papai mandou em beijo, disse que tá adorando a cidade, que as ruas são muito limpas, que tudo lá funciona perfeitamente bem e blá, blá, blá. Os outros e-mails eram só de fotos dos dois casais e um recado de Esme e Carlisle para que Edward tome vergonha na cara e responda aos e-mails dos pais. Respondi a todos desejando que se divertissem muito e explicando que Ed tá cheio de matérias pra estudar. Fiquei na net mais um pouco e por fim, o sono me venceu. Voltei à cozinha e Edward ainda tava lá. Estudando!
- Amor, nós temos uma sala de estudo, sabia?
- Eu sei – ele deu um bocejo gigantesco – mas é que se eu sair dessa cadeira dura e sentar em algo um pouco mais confortável, vou acabar dormindo ...
- Então, vamos pôr cadeiras de prego na sala de estudo! – falei sorrindo – Meu anjo, eu vou dormir, tá? – dei um selinho nele.
- Hum ... só vou ganhar isso? – ele me fez sentar em seu colo,dei-lhe um beijo calmo e muito gostoso, minhas mãos contornaram seu pescoço e as dele puxavam mais o meu corpo em sua direção. Ficamos assim até o ar nos faltar.
- Não vá dormir muito tarde, Ed. Te amo, viu?
- Eu te amo mais.
Me arrastei em direção ao quarto e mergulhei na cama.
*POV CHARLIE SWAN*
Zurique, a maior cidade da Suíça, preserva o encanto de uma pequena e agradável localidade. Possui prédios de telhados vermelhos e catedrais de torres pontiagudas espalhados pela cidade. Construída às margens de um lago, é cercada por montanhas nevadas que alternam com o verde dos pinheiros. Sua vocação náutica foi observada por mim e por Carlisle, a caminho do hotel, no táxi, pudemos observar os luxuosos iates ancorados no rio que corta a cidade. À noite, jantamos no restaurante do hotel e combinamos de deixar as garotas com um roteiro turístico nas mãos enquanto nós dois iríamos ao Credit Suisse no dia seguinte.
- Ah! Puxa vida, Charlie! Isso não é justo. Eu e Esme conseguimos com muito sacrifício, uns dias de folga no MS Hospital pra acompanhar vocês nessa viagem. E agora, vocês nos abandonam e ...
- Querida, deixe de drama! Você deveria estar na Broadway e não num hospital! – tentei não deixá-la desconfiada nem chateada.
- Rennè, sejamos razoáveis. Os rapazes terão um dia de chateação e burocracia no banco. Vamos aproveitar o dia fazendo compras e visitando galerias, catedrais, museus ...
- Isso mesmo, Rennè. E depois vocês não ficarão ‘abandonadas’, vão saber se virar muito bem com nossos cartões de crédito! Além do mais, Esme fala alemão fluentemente e, pelo que sei, o seu francês também não deixa a desejar. – Carlisle fez questão de ajudar.
O jantar seguiu-se animado, com Rennè fazendo maléficas promessas de estourar o limite de meu Visa e Esme planejando quais galerias de arte visitar. Num dado momento, as duas pediram licença para ir ao toilette. Esperei que estivessem longe.
- Carlisle, amanhã teremos um dia cheio.
- Eu sei, Charlie. Pelo menos essa curiosidade vai passar! – ele sorriu torto.
- Alguém já te disse que Edward sorri torto que nem você?
- Já - Carlisle sorriu ainda mais – Esme disse que foi o meu sorriso torto que a fez se apaixonar por mim. E, segundo ela, Edward sorriu torto pela primeira vez aos quatro meses de vida. É charme de família!
- Humpf! Convencido! – fingi aborrecimento e dei um soco leve em seu ombro.
As meninas voltaram e após mais algumas conversas e taças de vinho, nos recolhemos aos nossos quartos. Confesso que não dormi nada bem, ainda acho que foi uma insensatez trazê-las conosco. Talvez fosse um risco desnecessário, mas Carlisle disse que assim elas não desconfiariam tanto. Mas estava nervoso, afinal, Felix e sua família morreram, Gianna, sua suposta amante também.
O que essas duas mortes tinham em comum e por que Felix deixou algo de ‘valor’ pra mim e pra Carlisle? Agradeci fervorosamente a Deus por Bella, minha garotinha, já ser uma linda mulher, crescida, adulta. Agradeci também porque ela já não é tão dependente de mim e de Rennè. Agradeci porque Edward cuida dela e eu sei que nunca a abandonará. Mas eu sou pai! Um pai vive preocupado com o bem estar de seus filhos. Embora não seja um cara religioso, mas creio em Deus, rezei por minha filhinha.
No dia seguinte acordei tenso, de cara amarrada. Rennè perguntou o que estava me chateando, consegui murmurar algo como ‘colchão mole demais e travesseiro duro demais’ e fingi dor nas costas. Tomamos café da manhã com Carlisle e Esme no restaurante do hotel, pegamos o mesmo táxi e deixamos as meninas na Bahnhof-Platz (a praça central da cidade). No banco, fomos recebidos por uma atenciosa recepcionista que nos conduziu a uma pequena sala, enquanto esperávamos pelo Sr. Laurent Garnier.
- Bom dia, eu sou Laurent Garnier, gerente de contas pessoais. Vocês devem ser Carlisle Cullen e Charlie Swan – um homem de pele morena, cabelos e olhos pretos e falando um inglês com leve sotaque francês se apresentou a nós.
Ele nos conduziu a sua sala, onde apresentamos nossas identidades e passaportes. Depois de comprovada a nossa identidade, fomos conduzidos a um corredor estreito onde havia um computador parecido com um caixa eletrônico de banco. O Sr. Garnier nos entregou dois cartões similares a cartões de crédito, um pra cada um de nós, e disse que aquele cartão continha umas perguntas formuladas por Felix e nos deixou sozinhos no tal corredor. Se respondêssemos corretamente, o cartão liberaria a senha do cofre.
Ao inserir o meu cartão no computador, apareceu um texto.
Charlie, esse texto foi escrito por mim, Felix Cudmore. Responda as perguntas a seguir usando o teclado alfanumérico dessa máquina. A cada resposta certa, você deve apertar o botão verde. Se for você mesmo que estiver usando o cartão, você não errará.
As perguntas eram sobre nós, nossa amizade desde os tempos de faculdade, como placa do meu primeiro BMW, o esporte que Felix praticava, etc. Após responder as oito perguntas, o cartão me liberou o código: A45T18P69#666.
Carlisle também o usou o seu cartão e rapidamente descobriu a sua senha. De posse das senhas, voltamos à sala do Sr. Garnier e nos dirigimos a outro corredor estreito, nesse havia pequenas caixas de metal, várias câmeras de vigilância e dois seguranças fortemente armados. Ele nos entregou duas chaves minúsculas, depois de inserir a chave no cofre, digitei a senha no teclado que estava acoplado nele. O pequeno cofre destravou, se soltando do grande gaveteiro onde estava embutido. Carlisle fez o mesmo e o Sr. Garnier nos cedeu uma das salas privativas do banco. São espaços reservados para que clientes possam verificar seus bens.
- Vou conduzi-los, senhores, cada um a uma sala privativa.
- Sr. Garnier, se não se importa, preferimos uma única sala. – Carlisle falou e eu assenti com a cabeça.
Na sala havia uma mesa com quatro cadeiras, entramos e trancamos a porta por dentro. Sentamos e rapidamente abrimos as nossas caixas.
Na minha caixa havia um pingente em formato de crucifixo, feito em metal escuro, suas dimensões deveriam ser de quatro centímetros de cada lado. Era um tipo de cruz de malta, daquelas usadas em igrejas ortodoxas gregas mas em seu centro não havia a imagem de um Cristo, e sim um adorno oval em alto relevo, na cor vermelha.
A caixa de Carlisle continha um pequeno diário com algumas anotações de Felix e um quadradinho minúsculo de material plástico. Nas anotações, Felix dizia que aquilo era um pendrive. Talvez um exemplar de um dos menores pendrives (se não o menor) do mundo, não media nem dois centímetros mas tinha 8GB de capacidade de armazenamento. Nele estavam as provas documentais de tudo o que Felix resumia em seus relatos. A cruz era um esconderijo para a uma pista. Eu só teria que girar um pouco o enfeite oval para a direita.
Fiz o que Felix pediu e dentro só havia uma tirinha de papel com uma única palavrinha escrita. Mas aquela palavrinha, junto com os sucintos relatos de Felix em seu pequeno diário, fizeram todo o sentido para nós. Depois de quase uma hora lendo aqueles garranchos escritos por ele, não agüentei mais e desabafei.
- Felix, seu desgraçado! Apodreça no inferno, seu bastardo! – falei num sussurro, pois a minha voz estava embargada, tentando conter o choro.
- Calma, Charlie! – senti a mão de Carlisle eu meu ombro, tentando me confortar, ele também sussurrava.
- Carlisle, por Deus!!! Se tudo o que Felix falou aqui é verdade, e o conteúdo desse pendrive for autêntico, estamos perdidos.
- O que vamos fazer, Charlie?! - os olhos de meu amigo estavam marejados de lágrimas.
- Temos que pensar rápido, ser objetivos. Devemos mentir para nossas famílias, Carlisle. Vamos dizer a elas que Felix deixou economias para a faculdade de seus filhos e que infelizmente esse dinheiro já não serve mais ao seu propósito inicial ...
- Vamos dizer que já contatamos o parente mais próximo e transferimos o dinheiro.
- Carlisle, vamos pôr tudo isso num pequeno envelope e levar conosco. Já não faz mais sentido deixar isso aqui.
- Por que, Charlie? Por que Felix fez isso conosco?
- Talvez ele já não tivesse mais a quem recorrer, Carlisle! Talvez ele já soubesse que estava condenado.
- E nós?
- Tudo vai dar certo para nós, Carlisle. Vamos ser otimistas, Felix vacilou muito, Gianna não esbarrou nele por acaso, disso nós já sabemos.
- Charlie, só consigo pensar numa pessoa a quem devemos entregar tudo isso: Ben Chenney.
- Isso mesmo, Carlisle! Ben saberá o que fazer. Quanto a nós, vamos esquecer esse assunto de uma vez por todas.
E assim, eu e Carlisle selamos um pacto de silêncio naquele dia. Saímos do banco levando nossa herança, nos encontramos com nossas esposas e “curtimos” o resto da viagem.
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