Três É Demais!
POV BELLA
Da quinta para a sexta-feira eu passei a noite em claro. Eu me sentia péssima e me virava de um lado para o outro na cama. Cada vez que eu fechava os olhos, as lembranças me assaltavam, eu revivia o beijo com Edward ou revivia o beijo com Emmett. Minha cabeça estava confusa e meu coração estava prestes a se partir.
‘O que foi que você fez, Isabella Swan?’, pensei. ‘Como você pode beijar os dois? Desejar os dois? Você perdeu o juízo?’
As perguntas avançavam sobre mim como flechas inflamadas de veneno e preconceito, mas o amanhecer não trouxe as respostas para nenhuma delas. Como já não fazia sentido algum ficar na cama, me levantei, fiz minha higiene matinal, troquei de roupa e fui tomar o café da manhã. Enquanto comia, tomei uma decisão: eu não iria a esse jantar.
Aquele convite era uma loucura sem tamanho, um caminho sem volta para nós três, um risco. Sim, um risco. Eu poderia sair gravemente machucada daquilo tudo e PIOR, meu anjos poderiam se machucar. Edward é a única família de Emmett agora e vice-versa, eu não poderia ser o pivô da desunião deles! Onde já se viu um relacionamento desses dar certo? Eu deveria ser internada num hospício só de pensar numa coisa dessas! Alguém sempre sai machucado nesse tipo de relacionamento...
‘Se tivesse uma chance de dar certo...’ suspirei resignada e peguei o celular para mandar uma mensagem de texto para os dois.
- Droga, a bateria dessa merda descarregou. – murmurei.
Voltei ao quarto na intenção de colocar o celular para recarregar. Jess já havia acordado e estava trocando de roupa para sair, ela murmurou um ‘bom dia’ e permaneceu calada. Desde o incidente com Jane, a minha colega de quarto tem me tratado friamente e mal falava comigo, ela tomou o partido de sua amiga riquinha. Não ligo muito pra isso...
Jessica calada é uma pessoa muito legal!!!
Quando me vi sozinha, digitei uma mensagem de texto, me desculpando com Emmett e Edward e dizendo que não poderia ir a esse jantar. Coloquei o dedo sobre o botão ‘send’ e não consegui apertá-lo, minhas pernas fraquejaram e eu sentei na cama. O ar ficou escasso em meus pulmões e eu me sentia prestes a cortar um pedaço de mim. As lágrimas começaram a jorrar como cascatas e a confusão me assaltou, deixando-me zonza.
Alguém bateu na porta e me tirou daquele estado de torpor. Era um entregador, carregando um imenso buquê de flores e uma caixinha embrulhada num papel brilhoso cor de rosa.
‘Deve ser para Jess’, pensei.
- Srta. Isabella Swan? - o entregador perguntou.
- Sou eu. – respondi confusa.
- Entrega especial para a senhorita!
Ele sorriu e me entregou as flores e a caixinha, com as mãos trêmulas eu recebi os presentes e fechei a porta.
Flores do campo. Eram lindas, cheirosas, coloridas e eram para mim! Eu nunca havia ganhado flores antes! Havia um cartãozinho nela:
Bom dia, minha Bella!
Eu não sabia quais eram as suas flores preferidas, então escolhi as flores do campo. Flores que nascem e crescem livremente, assim como o verdadeiro amor. Flores diferentes que se misturam e juntas ficam mais bonitas, assim como eu e você.
Não posso mais ficar se você, Bella e, por Deus, eu espero que você sinta o mesmo por mim.
Então por favor, não tenha medo (eu sei, eu sei, essa situação parece meio estranha) e não desista de nós, porque podemos dar certo.
Emmett Cullen
Emocionada e com a respiração entrecortada, eu me abracei com o buquê, querendo desesperadamente abraçar aquele que o havia mandando para mim. Enxuguei as lágrimas e peguei a caixinha de embrulho cor de rosa, era chocolate, pequenos chocolatinhos em formato de coração. Ali tinha outro cartão.
Oi princesa, bom dia!
Eu estou com saudades e sinto muito a sua falta, não vejo a hora de te ver.
Esses chocolates são para a dona dos olhos de chocolate mais lindos do mundo. Para a garota que faz meu coração bater mais forte e minha vida ser mais doce.
Você já mudou a minha vida, sabia, Bella? E eu não me imagino sem você...
Escute seu coração, Bella e pense em nós como algo que pode dar certo.
Edward Cullen
Nós, nós, nós... Nós quem? Nós dois, nós três?
Deitei na cama e me encolhi numa bola de dor, culpa e dúvida. Chorei muito, chorei silenciosamente e lamentei meu destino. Lamentei me apaixonar por dois caras ao mesmo tempo e lamentei o fato de estar prestes a magoar um dos dois, ou os dois. Não sei quanto tempo fiquei ali, devo ter caído na inconsciência.
Acordei assustada com o bip do celular, eu estava ofegante e comecei a lembrar do sonho estranho que tive.
- Bella, Bella onde você está? Eu sinto o cheiro da minha netinha... – vovó falava para mim com a voz divertida e andando de um lado para o outro no quarto – Eu vou achar minha bonequinha...
Quando eu era criança, por volta dos cinco anos de idade, sempre que papai bebia muito e batia na Sue, ou ela batia nele, eu corria para a casa da vovó Marie do outro lado da rua. Eu sempre entrava sorrateiramente pela porta da cozinha e ia me esconder embaixo da cama. Vovó fingia não perceber a minha chegada, esperava eu me esconder e depois ia ‘me achar’, ela se agachava, olhava debaixo de vários móveis e só então procurava embaixo da cama. Eu saia dali rapidamente e me aninhava em seu colo, buscando o carinho, a proteção e o amor que eu não tinha em casa.
Mas quando eu saí de debaixo da cama, já não era criança, meu corpo era o de agora, me encolhi todinha e escondi meu rosto no vão do pescoço dela, chorando copiosamente. Vovó acariciava meus cabelos e cantava minha canção de ninar, aos poucos, o choro foi passando.
- Shii... Bella, não chore, meu amor... – ela sussurrava.
- Vovó, eu fiz uma coisa muito... muito errada...
- Você não fez nada de errado, Bella! – ela desfez um pouco o nosso abraço e me olhou nos olhos.
- Mas vovó, eu... eu meio que fiquei com os dois e me apaixonei pelos dois... – voltei a chorar de novo.
- Ah! Meu amor, você não podia evitar uma coisa dessas. – ela afastou uma mecha de cabelo do meu rosto – Nós não podemos evitar o amor, Bella...
- Mas vovó, eu não posso ficar com os dois! – sussurrei derrotada.
- E por que não? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Porque... porque é errado... – respondi confusa.
- Errado para quem, meu amor? – ela perguntou de volta.
- Todo mundo diz que é errado...
- E você vai deixar o amor e a felicidade escaparem de sua vida por causa de todo mundo? – ela segurou firme em meus ombros – Seja corajosa, Bella! Seja a primeira Swan a mostrar coragem ao mundo!
Não respondi, eu não tinha palavras, ela me encorajou novamente.
- Você sabe que não precisa ter medo, não é?- não respondi – E eu sei que você não se incomoda tanto com o que as outras pessoas vão achar disso. – ela tocou na pontinha do meu nariz – Você sempre foi determinada e independente, Bella! Você nunca se deixou abater por causa do julgamento dos outros. – assenti com a cabeça – Então, diga para a vovó: do que você tem medo, afinal?
- Eu... eu... – baixei o olhar – Não quero magoar os dois, não posso ficar com os dois!
- Eles estão apaixonados por você, Bella. – ela sorriu – E dariam tudo para viver esse amor com você.
- Mas vovó, eu não vejo como isso pode dar certo...
- Bella, Bella, preste atenção! – ela sacudiu meus ombros levemente – O amor fará tudo dar certo pra vocês três!
Desesperada, neguei com a cabeça, eu queria acreditar naquilo tudo, mas era demais pra mim.
- Isso... isso não faz sentido...- murmurei.
- Quanto mais a gente ama, menos as coisas fazem sentido, querida! -ela me beijou e me abraçou.
Foi nessa parte que eu acordei. Ainda com os pensamentos confusos, vi que passava do meio dia. Caraca! Perdi as aulas! Isso é o que dá ficar a noite toda acordada...
Peguei o celular e havia uma, uma não, duas mensagens de texto, uma de Edward e outra de Emmett. Cada um, no seu jeito, dizia a mesma coisa, que não poderiam almoçar comigo naquele dia porque tinham que resolver um probleminha no banco e não daria tempo. Mas deixavam bem claro que nosso encontro estava de pé e que passariam para me pegar às 19hs.
‘Isabella Swan, você vai a esse jantar’, disse para mim mesma. Dez minutos depois, eu saí do quarto decidida a ser feliz, mesmo que a minha felicidade fosse um pouco diferente do convencional. Resolvi tirar a tarde para mim. Peguei um ônibus, fui ao centro da cidade, almocei, fui ao cabeleireiro, fiz as unhas, hidratei e escovei o cabelo... Eu queria ficar bonita para os meus anjos!
Já era quase sete da noite e eu estava no quarto me arrumando quando Jess chegou.
- Hum... Bella, vai sair? – ela tinha um sorriso debochado na boca.
- Vou.
- Vai sair com o cara que te mandou as flores e o chocolate.
- Isso mesmo. – sorri para minha imagem no espelho, enquanto eu terminava de me maquiar – ‘Os dois’ – completei em pensamento.
Eu não queria um look muito formal, afinal só era um cinema e um jantar, mas acho que acertei na escolha da calça jeans skinny clara e uma batinha de seda azul marinho. Optei por um scarpin preto de salto alto e a maquiagem foi leve, apenas sombras cor de rosa e prata, um pouquinho de blush e gloss de morango nos lábios.
Jess ainda me olhava de lado quando o celular tocou, meu coração perdeu uma batida e voltou a bater com tudo, era Emmett.
- Oi bebê. – me derreti toda quando ele disse isso – Cheguei.
O sinal de outra ligação atrapalhou nossa conversa.
- Oi Emmett... é, só um minutinho...
O display dizia que Edward ligava para mim, fiquei confusa e atendi.
- Princesa? – aquela voz rouca me fez perder os sentidos – Já cheguei.
Ele não me deu chance de falar e desligou, suspirei e voltei a falar com Emmett, mas ele tinha desligado também.
- Caramba... – murmurei e peguei e minha bolsa, mas quando abri a porta, me deparei com meus anjos.
- Surpresa! – eles disseram em coro e sorriram.
Sorri abobada para os dois e me derreti da cabeça aos pés. Edward estava lindo, um gato, usando jeans claro e uma camisa de botões preta, seus cabelos cor de bronze estavam lindos e desalinhados e seus olhos brilhavam, duas esmeraldas. Emmett era outra coisa linda de se ver, ele usava uma camisa cinza que fazia um lindo contraste com seus olhos azuis, sua calça jeans destacava sua bundinha linda e suas pernas de deus grego. Corei, pois pensamentos pervos invadiram minha mente.
- Oi. – disse por fim.
Eles me beijaram na bochecha ao mesmo tempo, um de cada lado e eu senti minha pele esquentar. Fechei a porta atrás de nós e saímos, caminhando calmamente pelo corredor, eu no meio dos dois. Eles começaram a me elogiar, dizendo que eu estava bonita, etc. e tal e eu corei duplamente. Até então, eu nunca recebia muitos elogios masculinos, imaginem ao mesmo tempo?! Aquilo era tão bom...
Mas quando dobramos o corredor, minha visão periférica captou alguém nos espreitando. Rapidamente virei o rosto e vi Jess, ela havia aberto a porta e nos olhava com curiosidade, malícia e ... inveja? Senti um arrepio na nuca.
- Bella, eu já disse que você está linda hoje? – Emmett beijou minha testa.
- Não no último minuto... – sorri e apreciei o contato de seus lábios em minha pele.
- Pois você está linda! – ele falou.
Ele entrou na pick-up, Edward abriu a porta para mim e sussurrou ao meu ouvido, antes de eu entrar.
- Você está linda, princesa. – ele beijou delicadamente o lóbulo da minha orelha e eu estremeci levemente.
Eu pensava que seria estranho, mas estar ali no meio dos dois, conversando com os dois, enquanto Emmett dirigia e Edward tinha uma das mãos entrelaçada à minha, foi a coisa mais natural do mundo. Quando a gente parava num sinal fechado, Emmett pegava minha outra mão e depositava beijinhos ali. Eu sorria para os dois e me deliciava com atenção que recebia deles... Aquilo estava perfeito, lindo e fácil, fácil como respirar.
- Bella, temos três opções de filmes para você escolher. – Emmett falou quando estacionou o veículo – Eu escolhi um filme de ação, tem uma seqüência de luta incrível! – ele falou todo empolgado e fez uns movimentos de caratê no ar.
- Eu escolhi um filme de suspense e ficção científica! – Edward falou – É mistério do começo ao fim.
- E qual é a terceira opção? – perguntei enquanto Edward me ajudava a sair do carro.
- Ah! Uma comédia romântica de mulherzinha... – Emmett fez careta.
- É uma coisa água com açúcar... – Edward franziu o nariz.
-Podemos ver esse? – sorri, eu adorava comédia romântica.
Os dois assentiram, cada um se postou ao meu lado e fomos para a fila da bilheteria. Recebemos vários olhares curiosos, Emmett se prontificou a ficar na fila e Edward me afastou um pouco das outras pessoas.
-Não ligue para eles, Bella. – seu sussurro rouco me fez estremecer.
Fiquei na ponta dos pés e sussurrei de volta.
- Você liga?
- Nem um pouquinho... – ele beijou o lóbulo de minha orelha novamente e suas mãos enlaçaram minha cintura.
- Oh! Edward, beije-me... – sussurrei.
Quando os lábios de meu anjo se juntaram aos meus, tudo o mais ao redor perdeu a importância. Nossas bocas foram feitas para estar unidas, ele era doce, quente e molhado, sua língua passeava pela minha e juntas, mandaram vibrações poderosas para o meu corpo. Entrelacei minhas mãos em seus cabelos e me entreguei àquele desejo avassalador.
O ar ficou escasso e cessamos o beijo, Edward permaneceu com sua mão enlaçada à minha cintura e minutos depois, Emmett veio com nossos ingressos. Com as mãos entrelaçadas, eu e Emmett caminhamos, mas Edward tinha uma das mãos pousada na base das minhas costas. Olhares enfurecidos de algumas garotas e maliciosos de alguns caras nos acompanharam, mas ao lado de meus anjos, aquilo não tinha a menor importância.
- Vou comprar pipoca pra gente. – Edward beijou a minha testa e dirigiu sua atenção para o irmão – Emm, pegue lugares bons pra gente.
O cinema estava à meia luz, Emmett me abraçou pela cintura e eu me senti aquecida e protegida. Conseguimos bons lugares, eu guardei o lugar de Edward com a minha bolsa (é claro que eu fiquei no meio) e comecei a conversar com meu outro anjinho. Nossos rostos estavam a centímetros e eu podia sentir seu hálito doce e quente contra a minha pele, mas fomos interrompidos.
- Oi. Esse lugar aqui tá ocupado? – uma ruiva de cabelos curtinhos tocou no braço de meu anjo.
Ela sorriu demais pra ele e aquilo mexeu com os meus nervos. Mas como o lugar ao lado dele estava livre, a mocréia pode sentar ali.
Ele apenas negou com a cabeça e voltou sua atenção para mim. Não satisfeita, ela tentou puxar conversa.
- Você quer chocolate?
Ah! Piranha! Ela estava oferecendo chocolate para o meu Emmett? Olhei feio pra ela, minha cara deveria ser medonha mesmo. Ela sentou e parou de cacarejar.
- Hei, por que esse biquinho lindo tá aí? – ele tocou com a pontinha do dedo em meus lábios – Você fica linda com ciúmes, sabia?
Corei e não respondi.
- E mais linda ainda quando cora...
Emmett me beijou com carinho e eu me senti flutuando noutra dimensão. Uma de suas mãos enlaçou minha cintura, me puxando mais para ele e a outra se enroscou em meus cabelos... Nossas línguas dançavam freneticamente e eu me perdi naqueles lábios. Uma de minhas mãos agarrou em seu ombro forte e musculoso e a outra o puxava pela camisa.
O ar ficou escasso, interrompemos o beijo e colamos nossas testas, nossos sorrisos cúmplices denunciavam o desejo e a alegria mútua. Edward chegou trazendo chocolate, pipoca e refrigerante, sorri ao me ver entre os dois novamente, me sentindo completa e aquecida.
Os créditos iniciais do filme começaram e as luzes se apagaram. Edward abriu um chocolatinho e o colocou na minha boca, seu dedo ficou sujo de chocolate e eu o lambi, ele sorriu e sussurrou para mim.
- Você tá me deixando louco, Bella! - estremeci novamente com aquela voz rouca em meu ouvido.
Eu mal pude me concentrar no filme, pois a todo o momento era beijada pelos meus anjinhos. Confesso que na hora aquilo era natural. Edward beijava minha bochecha, a pontinha de meu ombro, minha mão, às vezes nos beijávamos nos lábios levemente. Emmett acariciava meu braço, beijava a pontinha de meus dedos, afagava meus cabelos e me dava breves selinhos nos lábios.
O filme terminou e eu só me dei conta porque os créditos recomeçaram e todo mundo se levantou. Edward beijava meu ombro desnudo e eu podia sentir Emmett beijando minha mão. Eu estava absorta naquele duplo frenesi e não conseguia pensar em mais nada.
Mas quando as luzes se acenderam, nós recebemos olhares de crítica. Aquilo nos despertou.
Emmett levantou rapidamente da cadeira e flexionou os músculos de seus fortes braços, sua cara feia fez as pessoas pararem de nos encarar. Edward entrelaçou nossas mãos, mas sua outra mão enlaçou minha cintura. Meu anjo de olhos azuis abriu caminho e eu fui escoltada pelos dois até a saída. É claro que ninguém nos atacou, mas se cara feia pudesse matar...
Nós três tentamos ignorar a situação e a conversa dentro carro girou no filme.
-‘Oh! Querida! Meu coração estará sempre com você...’ – Emmett fez uma voz fina, imitando o ator principal do filme e começou a gargalhar – Eu acho que aquele ator é viado!
A-HA-HA-HA
A gargalhada dele contaminou a mim e a Edward.
- Eu gostei da trilha sonora! – Edward falou – Aquele solo de piano foi o que salvou o filme!
- Você toca piano? – perguntei surpresa.
- Sim! E Emm toca violão! – ele sorriu para mim.
Chegamos ao restaurante, um lugarzinho pequeno e charmoso. Caminhávamos de mãos entrelaçadas, a hostess arregalou os olhos assim que nos viu.
- Boa noite, temos reservas. – Emmett falou.
- No nome de quem? – ela me encarou.
- Emmett e Edward Cullen. – Edward falou.
A mulher olhou na tela do computador e assentiu, entramos e eu me senti à vontade de imediato. O lugar não era muito luxuoso e não estava lotado, escolhemos uma mesinha discreta quase no fim do salão e próxima a uma pequena pista de dança, onde uma orquestra câmara tocava músicas suaves. Uma garçonete loira artificial veio até nós em tempo recorde.
- Boa noite! – ela sorriu demais para os meus anjos e lhes deu o cardápio – Eu sou Marion e estou aqui para servi-los.
Havia duplo sentido naquelas palavras e eu fiquei irada, mas me segurei e sorri triunfante quando os dois começaram a me dizer as opções de cardápio e me perguntando o que eu queria comer. Assim que nos decidimos, Edward falou com ela, mas sem tirar os olhos de mim.
- Vamos querer como prato de entrada uma salada verde de camarão e manga e depois ravióli com cogumelos.
- E para beber?
Ela quase miou! Vaca, vaca, vaca!
- Um chardonay suave. – Emmett tinha nossas mãos entrelaçadas sobre a mesa.
Cinco minutos depois, a garçonete voltou com o vinho, uma cestinha com mini torradinhas e um creme de ricota e ervas finas. Ela estava com a cara feia para mim e nos serviu rapidamente.
Começamos a beliscar os pãezinhos e a conversar sobre assuntos engraçados. Emmett sempre me fazia rir, contando as histórias deles dois quando eram crianças na ilha e sempre faziam traquinagens ou se metiam em confusão. Edward o acompanhava nas histórias, sempre relembrando um ou outro detalhe dos episódios. Percebi que meus anjinhos tiveram uma infância livre e feliz.
A orquestra começou a tocar uma música conhecida, era Crazy de Norah Jones, Emmett se levantou e me convidou para dançar. Peguei em sua mão de bom grado se seguimos para a pista. Me deliciei ao sentir nossos corpos unidos e sua mão possessiva em minha cintura.
- Você está se divertindo, bebê? – ele perguntou.
Sorri antes de responder.
- Muito! – nossos olhares não se desgrudavam – Eu gosto quando você me chama de bebê.
- Eu gosto de te ver assim, sorrindo, feliz... Eu fico feliz também!
Giramos ao som da música envolvente, nos beijamos delicadamente e sussurramos uma conversa gostosa. Eu queria dizer que estava apaixonada por ele, mas não tive coragem. A música chegava ao fim justo na hora em que captei a garçonete-piriguete flertando com meu Edward. A oxigenada teve coragem de se aproximar da mesa e puxar conversa com ele. Meu anjinho não tirava os olhos de nós e parecia desconfortável com a mulher. Emmett percebeu minha aflição e voltamos para a mesa.
Assim que voltamos, a orquestra começou a tocar Claire de Lune, de Debussy. Edward pegou minha mão, beijando-a e me tirou para dançar.
- Eu adoro essa música! – ele falou e eu sorri quando ele me girou.
- Eu também, ela me traz boas recordações. – sorri e fechei um pouco os olhos.
- É mesmo? O que a música te lembra?
- Mamãe. – havia ternura e saudade na minha voz – Quando eu tinha uns dez anos, eu acho, papai me deixou passar um mês inteirinho na casa dela. Ele disse: ‘Bella, sua mãe está limpa há três meses, por isso eu vou deixar que você passe uns dias lá’ – respirei fundo, Edward notou minha emoção e beijou minha testa – Nessa época, - continuei – mamãe havia comprado um teclado eletrônico e uma de suas terapias era a música. Todas as tardes ela tocava Claire de Lune para mim...
Meus olhos ficaram úmidos, ele me abraçou e beijou meu pescoço.
- A gente não precisa falar disso se você não quiser, princesa...
- Ta tudo bem, essa música só me traz momentos felizes...
Colamos mais os nossos corpos e dançamos bem agarradinhos, eu me sentia feliz, amada e protegida com Edward também. E, Deus... Como eu queria dizer que estava apaixonada por ele!!! Mas a minha covardia não deixou.
Após a dança o jantar se seguiu, comemos bem, a comida era deliciosa e tomamos um bom vinho. Conversamos bastante, e eu me surpreendi com a lista de coisas que eu tinha em comum com Edward, com Emmett e, às vezes, com os dois!
O tempo parecia voar e quando percebi, já estávamos pegando o caminho de volta. Enquanto Edward dirigia, minha cabeça estava pousada em seu ombro, mas Emmett mantinha nossas mãos entrelaçadas. Conversávamos sobre o jantar, o filme e o quanto a noite tinha sido agradável, mas o tom de minha voz denunciava a saudade que eu já sentia dos dois.
Quando Edward estacionou o veículo, Emmett saltou rapidamente e nos deixou a sós. Como já passava da meia-noite e a universidade tinha normas de segurança, eu me despedi deles na entrada do alojamento feminino.
- Eu gostei muito de nossa noite, Bella. – seu abraço apertado só me fez ficar com mais vontade de unir nossos corpos – E espero que essa seja a primeira de muitas delas...
Sorri e assenti, meus olhos estavam presos no encanto de seus orbes verdes. Nos beijamos delicadamente, nossos lábios se moviam em sincronia, uma sincronia perfeita.
- Eu também gostei muito, Edward! Gostei de tudo, obrigada! – falei quando o ar nos faltou.
Demos um último abraço e eu desci do carro.
Emmett me abraçou apertado e eu também queria unir nossos corpos. Ele depositou selinhos em meu rosto, intercalando palavras gentis, agradecendo pela noite, dizendo que adorou cada minuto e que queria repetir a dose. Eu apenas sorria a cada beijinho e me juntava mais a ele, mas teve uma hora que seus lindos olhos azuis se prenderam aos meus. Ele me beijou com carinho e mais uma vez eu senti a perfeita sincronia... Quando o ar nos faltou, nos abraçamos e eu me despedi dele.
Já na soleira da porta, me virei e acenei para os dois. Boba! Eu estava boba, apaixonada, ofegante, suspirando e transpirando desejo, felicidade e ternura. Cada beijo, cada toque, cada sussurro, cada dança... Edward e Emmett me fizeram a garota mais feliz do mundo!
‘Deus do céu... não posso mais viver sem eles’, pensei depois que fechava a porta do quarto atrás de mim.
Jess já estava deitada e parecia estar dormindo. Andei na ponta dos pés, tomei um banho, escovei os dentes, vesti um pijama e deitei na cama me sentindo leve como uma pluma. Quando minha mente já me levava para a inconsciência, escutei minha colega de quarto falando.
- Não sabia que você era esse tipo de garota, Swan.
Meus olhos ficaram cheios de lágrimas. A felicidade de antes foi rapidamente esquecida, demorei muito a pegar no sono.
Tive um sonho conturbado. Parecia que estávamos na idade média eu, Edward e Emmett estávamos presos numa espécie de cela e eu sabia que iríamos morrer. Havia muito barulho e o brado de vozes ensandecidas.
- Matem a bruxa! – gritavam.
- Matem a prostituta! – os brados aumentavam.
Um homem encapuzado veio até a cela para nos escoltar e rapidamente chegamos até onde estava a multidão e três fogueiras enormes acesas. O homem encapuzado me amarrou na fogueira do meio, Edward a minha esquerda e Emmett a minha direita. Um padre veio até nós e começou a ler a minha sentença. Ofeguei quando reconheci o rosto de meu pai naquele padre.
- Isabella Marie Swan, você foi acusada de bruxaria, prosituição e luxúria. Sua pena será a morte na fogueira, onde fogo consumirá seus pecados.
Uma freira segurando uma tocha se aproximou de mim e ateou fogo, reconheci na freira o rosto de Jessica. Eu gritei de dor. O padre leu a sentença de Edward e Emmett.
- Os Cullen foram acusados de luxúria e de se unirem à bruxa, sua pena também será a morte pela fogueira.
A freira que ateou fogo em Edward era Jane e Victoria se encarregou de Emmett. Os gritos agonizantes de meus anjos doíam mais em mim do que o fogo que consumia minhas carnes.
Gritei de dor e pavor. Na agonia de me libertar daquele inferno, cai da cama e me assustei com a queda. Muito grogue, me levantei e vi que ainda estava cedo, nem eram seis da manhã!
Ofegante e agitada, tomei um banho rápido e troquei de roupa. O quarto estava claustrofóbico, eu ainda podia sentir em minhas narinas o cheiro da fogueira. Angustiada, sai sem destino e quando dei por mim, estava dentro de um ônibus indo para Lincoln, minha cidade. Com as mãos trêmulas, digitei uma mensagem de texto para Emmett e para Edward:
“Edward e Emmett, quero dizer que a noite passada foi a melhor noite de minha vida. Eu nunca me senti tão feliz e tão completa antes. Cada momento nosso foi mágico e eu queria muito que pudesse ser assim para sempre.
Mas isso é impossível, não é?
Eu não posso condenar vocês!
Não posso escolher um em detrimento do outro. Eu não conseguiria fazer isso. Então eu escolho não magoar, não ferir, não abandonar nenhum dos dois.
Eu estou apaixonada por vocês dois! Ferir um de vocês seria como me ferir também...
Sinto muito. O que eu quero é impossível. Eu quero vocês dois. Três é demais, não é?
Desejo toda a felicidade e todo o amor do mundo para vocês.
Isabella Swan”
A mensagem ficou enorme e foi enviada em três partes. Quando recebi a confirmação de enviou, desliguei o celular e passei o resto da viagem enxugando as teimosas e amargas lágrimas que me banhavam.
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