Irrecusável
POV EMMETT
Aquela quarta-feira foi um dia muito especial para mim, pois foi naquele dia que eu e Edward conseguimos falar com Bella, a nossa maluquinha. Foi perfeito! Ela almoçou conosco e aceitou nosso convite de jantar-cinema.
Mas eu confesso que no começo foi tenso. Se de um lado, eu e Edward não sabíamos o que esperar dela, ela estava igualmente surpresa pelo duplo convite! Eu, que tenho o apetite de uma baleia, quase não consegui comer o que tinha no prato ante a expectativa de uma possível rejeição dela...
Edward também estava visivelmente tenso, ele mexia a comida com o garfo de um lado para o outro. E a nossa maluquinha... Bem, nossa Bella estava corada e visivelmente nervosa com a situação!
Depois de a convidarmos para sair, emendamos a conversa em assuntos triviais, elogiamos a comida, falamos das aulas, etc. e tal. Quando ela terminou de comer, olhou para mim, sustentei seu olhar e sorrimos. Como que por instinto, ela fez o mesmo com Edward, ambos coraram.
- Bom, eu... eu... preciso ir. – ela disse e já foi se levantando.
Nós dois nos levantamos também, em sinal de educação.
- Mas já?! – sussurrei – Você tem aulas à tarde?
- Não. – ela sorriu para mim e meu coração inflou – Eu vou numa agência de emprego no centro da cidade.
- Seu carro já está consertado? – Edward perguntou.
Eu vi um brilho nos olhos do meu irmão e entendi sua intenção. A gente sabia que a lata velha de Bella estava quebrada e jazia num canto do estacionamento do campus. Olhei para meu irmão e assenti minimamente.
- Não.
Ela respondeu, fez uma pausa e mordeu o lábio inferior. Minha Nossa Senhora! Como Bella fica linda e sexy quando faz isso... Senti um desejo imenso de beijá-la, provar de sua boca...
- Vou pegar um ônibus. – ela completou.
- Não! – eu e Edward falamos ao mesmo tempo.
- Eu posso te dar uma carona. – Edward falou.
- Oh! Não precisa, eu não quero incomodar vocês.
- Não é incômodo algum. – meu irmão se derreteu para ela - Eu ia mesmo ao centro da cidade hoje.
Ela sorriu e assentiu, eu ajudei a colocar sua mochila nas costas e lhe desejei boa sorte com o emprego. Ela tocou levemente em meu braço e eu senti um calor gostoso percorrendo meu corpo.
- Emmett, você não vai conosco?
- Ah! Não posso, Bella. – sorri me desculpando – Tenho aulas hoje à tarde.
Ele se esticou para me dar dois beijinhos na bochecha e eu me abaixei para ajudá-la. Afinal, eu tenho 1,90m e sou bem mais alto que ela. Assim que aqueles lábios pequenos, macios e quentes tocaram a minha pele, eu me senti mais quente ainda. Tudo o que eu queria era aquela boca na minha...
- Então a gente se vê...
Ela sorriu, deu às costas e eu fiquei ali... flutuando...
Percebi que meu coração galopava feito um cavalo doido! Puxa vida! Ela também queria a minha presença... Um fiozinho de esperança nascia em mim! Aquele plano maluco de Edward poderia, sim, dar certo!
POV EDWARD
Ela disse sim!!! Duas vezes sim!!!
Sim, para o nosso duplo convite! E eu tenha certeza que ela entendeu as minhas palavras sobre ser clichê um primeiro encontro com jantar e cinema. Eu também sei que ela registrou a situação: um primeiro encontro a três...
E ela disse sim para mim, quando lhe ofereci carona até o centro da cidade. É claro que eu menti, eu não tenho nada pra fazer no centro da cidade! Na verdade, eu só fui lá umas duas vezes, já que o apartamento que eu e Emm alugamos fica a cinco minutos da universidade.
Enquanto nós caminhávamos lado a lado, eu observava seu andar gracioso. Ela, por sua vez, olhava meio que de esguelha para mim. Queria saber o que se passava nessa sua linda cabecinha...
FLASH BACK
- E agora, mano? – Emm me perguntou visivelmente angustiado, quando resolvemos abrir o jogo um com o outro – Você também a quer! – eu não podia mentir para o meu irmão, assenti apenas – O que a gente vai fazer? – ele andava pela sala freneticamente – Caralho! Isso é muito complicado!
Enquanto Emm extravasava todo o seu nervosismo, uma idéia maluca se formava em minha mente.
- Nós não somos Caim e Abel, Emm. Vamos descomplicar isso!
- Como? Apostando no ‘cara ou coroa’? – ele falou com sarcasmo.
- Claro que não, seu leso! – fui até a cozinha e ele me seguiu – Escute... Eu não quero desistir dela, mas nunca, jamais, vou abdicar de sua amizade. – eu refinava meu plano enquanto fazia um café para nós – Vamos chegar junto dela, conhecê-la, quem sabe convidá-la para um jantar, um cinema... E vamos ver no que vai dar.
- Mano, você pirou de vez! – ele puxou uma cadeira, sentou e cruzou os braços.
- Por quê? Vamos deixá-la escolher um de nós...
- E você tem certeza que ela vai te escolher, não é? – ele estreitou o olhar e fez uma carranca.
- Eu não tenho certeza disso, Emm. – sentei na outra cadeira e olhei em seus olhos – A única coisa que eu sei é que eu a quero.
- E se ela me quiser?! – ele arqueou as sobrancelhas.
- Vou respeitar a decisão dela. – falei num fiozinho de voz – E você? Faria o mesmo se...
- Faria. – ele engoliu em seco e respondeu.
FIM DO FLASH BACK
- Onde você deixou sua pick-up? – Bella me tirou das lembranças.
- Ali, no final do estacionamento. – apontei para a mancha vermelha – Nós chegamos em cima da hora hoje e só pude deixar a coisa na última vaga.
- A coisa... – ela repetiu e sorriu.
Linda...
- Você fica ainda mais bonita quando sorri, sabia, Bella?
Ela não respondeu de imediato, apenas corou e baixou o olhar... Linda demais! Aquele marfim parecia enfeitada com pétalas de rosas toda vês que ela corava... Senti meu pau duro na mesma hora!
- Vocês não moram no alojamento? – ela perguntou.
- Não. Eu e Emm percebemos que morar aqui seria mais caro que alugar um apartamento.
Quando ela ia abrir a porta da pick-up, eu me apressei e agi como um cavalheiro, ajudando-a a subir. Corri para o outro lado, entrei e dei partida na coisa barulhenta.
- E depois, nós não nos acostumaríamos em dividir um quarto com um estranho. – sorri para ela – Somo meio que... bichos do mato, sabe? – ela assentiu – Fomos criados numa cidade pequena, uma ilha na verdade, somos meio reservados.
Ela virou um pouco o corpo para mim e me olhou nos olhos.
- Uma ilha?
- Sim, viemos de Paradise Island. – falei com orgulho e peguei meu celular – Veja, tem algumas fotos ai...
Mostrei a ela algumas fotos minhas e de Emm em nossa casa, num barco em alto mar, posando ao lado de peixes enormes... Não sei o que deu em mim, mas eu queria que Isabella Swan soubesse tudo a meu respeito. Na verdade, era mais que um simples querer, era uma necessidade avassaladora de fazê-la me conhecer...
- Que lugar lindo, Edward! – ela sorria enquanto passava as fotos – Puxa vida, essa ilha é um paraíso mesmo!
Eu mantinha um olho na estrada e um olho nela! Deus do céu como ela era linda sorrindo, falando...
- E estes aqui são seus pais? – ela me mostrou uma foto.
- Essa é uma foto da família. Meu pai, Carlisle e minha madrasta, Tanya. – minha voz demonstrou um pouquinho de melancolia.
- Emmett é a cara dele...
- Sim, fisicamente Emm é a cara de papai. Eu me pareço mais com minha mãe...
- Tem uma foto dela aqui?! – ela sorriu.
- Mamãe morreu dois dias depois de nosso parto. – sussurrei.
- Ah! Sinto muito! – ela se apressou em dizer e meio que instintivamente tocou em meu braço.
Um choque mágico percorreu minha pele, me senti quente e leve ao mesmo tempo. Sorri.
- Tudo bem, Bella! Até os quatro anos, Carlisle foi nosso pai e nossa mãe. Quando ele se casou com Tanya, tivemos o privilégio de sermos amados e amparados por ela. – sorri – Ela nos tratava com filhos!
- Essa foto é muito bonita... – ela sussurrou.
- E você, Bella? Seus pais também moram em Lincoln?
Cheguei ao centro da cidade e paramos num sinal de trânsito fechado.
- Como? Como você sabe que eu vim de Lincoln?
- Você foi capa do jornal do campus, lembra? Li sobre isso.
Ela sorriu e deu uma tapinha na testa. Viramos numa esquina e paramos em frente à agência de emprego.
- Ah! Tinha me esquecido disso... Bem, eu morava com meu pai e minha madrasta em Lincoln.
- Sua mãe... – não consegui terminar a frase.
- Não! Não... ela está viva, mas fui criada pelo meu pai e minha madrasta.
‘Que triste’, pensei. Ter mãe e ser criada por outra pessoa...
Desci do carro e me apressei para abrir a porta para ela. Sua jaqueta jeans ficou presa na ponta do cinto, ela puxou duas vezes, mas na terceira, a jaqueta veio de vez. Eu já havia aberto a porta e com o movimento brusco, Bella caiu diretamente em meus braços.
Um calor insano e gostoso tomou conta de mim assim que nossos corpos se chocaram. Eu ofeguei e meu coração bateu forte, ela corou, sorriu e baixou o olhar. Sentir aquele corpo pequeno colado ao meu, me fez ficar duro de novo, mesmo por cima de sua jaqueta e sua camiseta, percebi as curvas daquele corpo que eu julgava ser perfeito e delicioso.
POV BELLA
Deus do céu! Eu sempre soube que havia uma coisa errada comigo, eu sempre me senti deslocada nesse mundo, mas não sabia que meu caso era tão sério assim...
Eu me via sentada entre dois anjos, dois deuses gregos, duas belezas raras... Almoçando com eles e sendo convidada para sair?! Sim, foi isso mesmo e eu entendi muito bem aquela situação. Eu iria sair com os dois, aquilo era um encontro com os dois e ao mesmo tempo.
Será que alguém estava me pregando uma peça? Aquilo não seria uma pegadinha para calouras sem graça e insossas como eu? Não, não podia ser... Aqueles olhos azuis, lindos e sinceros de Emmett não me diziam isso. E aqueles orbes verdes, meigos e gentis de Edward falavam mais do que mil palavras.
Irrecusável.
Por mais que minha mente dissesse que aquilo era uma loucura, que era errado, meu corpo e principalmente, meu coração não podiam recusar. Contrariando o bom senso e qualquer lógica, eu me sentia atraída pelos dois, eu queria os dois...
E isso era novidade para mim! Não me senti uma puta, não chegava a tanto, mas as pessoas normais não vivem esse tipo de relacionamento. Enquanto nós três almoçávamos, eu conversava amenidades com eles e pensava seriamente sobre essas questões. Olhei para o relógio e lamentei ter que sair dali. Lamentei ter que deixar os dois, lamentei ter que pegar um ônibus até o centro da cidade, mas eu tinha que procurar emprego. E logo! A grana do seguro de vida que Charlie deixou, só pagava os custos com a faculdade e me sobravam míseros U$ 500,00 por mês até o fim do meu curso.
Edward me ofereceu carona e eu senti meu coração perder uma batida e voltar a bater com tudo... Nós três no carro? Corei com meu pensamento e sorri abobada. Aceitei a carona, mas me frustrei, Emmett teria aula à tarde e não poderia ir conosco. Sinceramente, eu ainda queria os dois...
Mas eu e Edward nos demos bem. Deus do céu, mais que bem! Edward é lindo, perfeito e tem um sorriso capaz de derreter meu juízo. Mas não era só beleza ali, havia também sinceridade e uma coisa louca que me atraia a ele. Quando me vi sozinha com Edward dentro daquele carro, tive vontade de grudar meu corpo ao dele, de beijar sua boca e aaahhh...
Graças a Deus ele puxou conversa, me mostrou fotos de sua família e eu me sensibilizei com a história de vida deles. Eles moravam num lugar lindo, foram criados pelo pai e pela madrasta e pelo que pude perceber, Edward é um cara fantástico. O jeito com que ele falou de suas origens, com tanto orgulho e respeito, me fez ver que ele é uma pessoa humilde e com o pé no chão. Bem diferente de alguns caras riquinhos da Maine University.
Quando chegamos à agência de emprego, eu fui um desastre. Não consegui descer do carro porque minha jaqueta ficou presa na ponta do cinto de segurança e a minha sutileza de elefante, me fez cair direto nos braços de Edward. E que braços, G-ZUIS!!! Ele evitou minha queda e nossos copos se grudaram como eu tanto queria! Que corpo perfeito era aquele? Me senti amparada e aquecida naquele corpo másculo e cheiroso, foi bom e eu queria mais.
Corada e aturdida, tentei afastar tais pensamentos da minha mente.
- Vamos? – ele sorriu e assentiu.
Na agência, fui atendida por uma loira artificial que não tirava os olhos de meu Edward. Bufei de raiva e percebi que ele segurou o riso. Sim, eu senti ciúmes dele! Fiz meu cadastro, preenchi umas fichas, deixei cópias de documentos e aproveitei para ver as vagas disponíveis naquele dia. Todas elas exigiam experiência mínima em qualquer coisa, mas eu nunca tinha trabalhado antes...
- Puta que pariu! – falei exasperada e corei, eu não devia ser tão desbocada na frente de meus anjos – Como eu vou conseguir algum emprego, se todo mundo exige experiência?
Edward percebeu minha aflição e sorriu torto para mim. Ofeguei, fiquei deslumbrada com aquilo e quase me esqueci de meus problemas! Calmamente, ele pegou uma mecha teimosa de meu cabelo e colocou-a atrás da minha orelha. Corei e senti minha pele esquentar.
- Você vai conseguir, não se preocupe. – ele se virou para a atendente – Essas são as únicas vagas disponíveis?
- Por hoje é só isso.
Ela sorriu para ele, se derretendo. Ai, que vaca!
- Às quintas-feiras surgem vagas principalmente para jovens em busca do primeiro emprego. – ela continuou.
- Eu volto amanhã, então...
Fomos para o carro, eu me sentia frustrada, pois achava que já sairia da agência com um emprego. Tolice! Eu não sabia que conseguir um emprego era tão difícil assim.
- Não fique assim, Bella. – Edward sorriu e eu não pude evitar sorrir também.
Saímos dali e paramos em frente a uma sorveteria.
- Quer tomar um sorvete? – ele perguntou.
Eu me perdi, olhando o movimento daqueles lábios carnudos e sensuais, assenti como uma boba. Entramos, eu escolhi sorvete de chocolate, Edward pegou um napolitano. Sentamos numa mesinha reservada e começamos a conversar. Tinha um pouquinho de sorvete no queixo dele e eu tive vontade de beijá-lo. Mas a minha covardia falou mais alto, então eu peguei um guardanapo e limpei. A proximidade de nossos corpos me fez perder a respiração, mas ele parecia inspirar profundamente contra mim.
Eu fui o tema da conversa, ele queria saber tudo sobre mim agora. Minha infância, minha família, meus amigos... Relutante e um pouco envergonhada, contei a ele toda minha história de vida, mas omiti os detalhes sórdidos. A tarde foi gostosa, eu nunca havia me sentido assim, tão feliz e aquecida... Era bom saber que alguém se interessava por mim, era bom saber que ele queria saber sobre mim...
Já no campus, Edward abriu a porta da pick-up para mim e se despediu com um abraço e dois beijinhos na bochecha.
- Obrigada. – sorri.
- Eu que agradeço, Bella. – seu sorriso torto me deixou maluca de novo – Adorei o prazer da sua companhia.
Eu olhei em seus olhos, ele sustentou meu olhar... Ofeguei. Edward foi se aproximando de mim, mais e mais. Eu sabia o que viria a seguir, eu queria.
Nossos lábios se encontraram num beijo calmo, leve e molhado. Foi singelo, não foi profundo, mas foi lindo, perfeito e me levou às nuvens...
POV EMMETT
Assim que me afastei de Bella, o fiozinho de esperança deu lugar ao pânico: ela entendeu mesmo? Ou ela acha que entendeu, mas quando nós dois aparecermos na sua frente, ela vai sair correndo?
E se ela entendeu e depois vai se arrepender e desmarcar o encontro? Senti as pernas fraquejarem só de pensar nessa possibilidade! Enquanto caminhava pelo corredor, em direção à sala de aula, fiquei aflito e olhei as horas no relógio... O professor chegaria à sala em dez minutos.
Tive uma idéia e corri na direção oposta. Corri mesmo. Fui até o Centro de Educação e me encaminhei à coordenação do curso de pedagogia. Assim que abri a porta, vi uma secretária (eu acho), ela sorriu para mim e piscou os olhos várias vezes.
‘Tomara que ela esteja flertando comigo’, pensei, porque eu vou tentar jogar uma conversa fiada pra cima dela.
- Boa tarde! – aumentei meu sorriso.
- Bo-boa tarde. – ela gaguejou.
Cheguei mais perto e vi seu nome no crachá.
- Eu me chamo Emmett Cullen e estou precisando de um favor seu, Sra. Conroy. – ela assentiu – Bem, eu estou prestes a pedir em namoro uma garota do curso de pedagogia e gostaria de mandar flores pra ela, mas preciso saber o número de seu quarto no alojamento.
- Oh! Não posso lhe dizer isso! – ela franziu a testa e estreitou o olhar.
- Por favor? – fiz cara de cachorrinho pidão.
- Não.
- Por favozinho... – a mulher estava impassível e eu resolvi apelar – Sra. Conroy... Veja bem... Eu sei que a senhora precisa seguir normas de segurança e coisa e tal, mas eu estou apaixonado por ela! Eu sou como as baleias, sabe? A senhora já ouviu falar que as baleias só se apaixonam uma única vez na vida?
- Ok, ok, Sr. Cullen, não precisa ser tão dramático! Vamos fazer assim, eu preciso dar um telefonema e vou demorar um minuto, - ela apontou para o computador em sua mesa - basta você inserir o nome dela no campo indicado e apertar a tecla ‘enter’.
Fiz o que ela pediu e memorizei o número do quarto de Bella. Agradeci mil vezes à secretária e beijei sua mão, fazendo-a corar e sorrir. Feliz da vida, eu segui para a aula.
À noite, Edward me contou como tinha sido sua tarde com Bella, me contou da história de vida dela e eu fiquei surpreso. Nossa maluquinha é muito mais forte do que aparenta ser e teve uma infância muito difícil. Meu irmão não me escondeu nada, inclusive me disse que a tinha beijado.
Na hora, eu senti uma coisa esquisita. Não foi ciúme. Eu já tive outras namoradas antes e sei muito bem o que é sentir ciúme. Também não fiquei com raiva dele nem nada (em seu lugar, eu teria feito a mesma coisa), mas senti que tinha que buscar para mim uma oportunidade de ficar a sós com ela. No dia seguinte ela voltaria a agência e eu iria com ela. Ah! Sim, eu iria.
Comecei a fazer contagem regressiva...
POV BELLA
-Emmett, você não tem aula hoje à tarde? – perguntei aturdida.
- Às quintas-feiras eu só tenho aula pela manhã. – ele respondeu
Estávamos no refeitório e mais uma vez eu almocei com os meus anjos. Coincidência ou não, eles estavam sentados na mesma mesa do dia anterior e pareciam esperar por mim.
- Eu não quero incomodar. Você deve ter matéria pra estudar.
Na verdade eu queria que ele fosse, mas tinha medo de dizer isso e apressar as coisas ou forçar a barra. Ele negou com a cabeça vigorosamente.
- Não é incômodo, eu vou com você.
Olhei para Edward e meus olhos perguntaram o que minha boca não conseguiu falar, mas ele entendeu e sorriu para mim.
- Hoje eu não posso ir com você, Bella. – ele tocou em meu rosto e eu me inclinei em direção a seu toque – Boa sorte! – ele me ajudou a colocar a mochila no ombro e beijou minha testa – A gente se vê amanhã.
Já no carro, Emmett ligou o som num volume baixo e fomos cantando e sorrindo muito. Fiquei encantada com meu anjo de covinhas nas bochechas. Cada vez que ele sorria, eu ficava deslumbrada e sentia meu coração acelerar.
Cedo demais nós chegamos à agência e fomos atendidos pela mesma recepcionista. Ela fez cara feia pra mim e me olhou de cima a baixo ao perceber que eu estava com um cara diferente do dia anterior. Senti meus ombros arriarem só de imaginar o que ela estava pensando de mim. Mas a atitude dela provocou a reação oposta, me grudei mais a Emmett e falei com altivez.
- Boa tarde, preciso ver as ofertas de emprego.
Ela não respondeu e apontou para a sala ao lado, onde eu deveria esperar a minha vez. Meia hora depois saímos da agência e eu continuava desempregada! Todas as vagas daquele dia não eram interessantes pra mim ou eu não preenchia os pré-requisitos. Suspirei.
- Não fique assim, Bella. – Emmett envolveu meus ombros com seu braço forte – Na próxima semana a gente vem de novo...
Eu tentava reprimir o choro, apenas olhei pra ele e assenti, depois baixei o olhar.
- Ei, não fique assim, Bella. – ele tocou em meu queixo, erguendo-o delicadamente – O emprego certo vai aparecer, você vai ver. – sorri fracamente e ele tentou me animar – Que tal se a gente der um passeio por aí? – ele se esticou, olhou ao redor e apontou para uma pequena praça do outro lado da rua.
No vai e vem de nossas mãos enquanto andávamos, acabamos de mãos dadas caminhando calmamente até a praça. Emmett comprou pipoca e sentamos num banquinho, conversamos sobre um monte de coisas, eu dei muita risada com as piadas que ele contava e me espantei ao perceber o quanto meu anjo era engraçado e espontâneo.
Percebi também que ele era muito diferente de Edward. Eu nunca tinha visto gêmeos tão diferentes... Mas as diferenças não eram ruins! Eu gostava dos dois e ponto final! Era como se eu precisasse dos dois, como se cada um suprisse necessidades diferentes em mim, eu já me sentia incompleta sem os dois.
- Espero que o passeio tenha sido legal. – ele sorriu quando estacionou a pick-up no campus e desligou o motor.
- Eu gostei muito de nossa tarde, Emmett. – sorri de volta.
Ainda dentro do carro, ele ficou me olhando fixamente e eu não tive como me liberar de seus olhos. Um ímã nos unia e já não dava mais pra lutar contra isso.
Irrecusável!
Eu não podia seguir outra direção. Calmamente, fui me aproximando dele e aos poucos fui sentindo seu cheiro másculo, sua respiração contra minha pele, seu calor. Ele juntou nossos lábios e eu senti uma explosão de prazer e alegria. O beijo foi muito calmo, mas foi gostoso e me deixou em chamas.
- Eu... eu... acho melhor ir agora. – sussurrei ofegante.
- Sim, é melhor. – ele também ofegava – Até amanhã, Bella.
Sai da pick-up meio trôpega e só fui recuperar a consciência quando já estava no alojamento, deitada na minha cama.
O que eu estava fazendo, Meu Deus?!
De três coisas eu tinha certeza, três não, quatro: eu estava apaixonada por Edward, eu estava apaixonada por Emmett, aquilo era um caminho sem volta e eu queria os dois para mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário