PRÓLOGO
Eu me sentia leve como uma brisa...
Pela janela da cozinha entrava o gostoso cheiro do mar e das flores. Era primavera e a natureza exalava vida, tudo era vida ao meu redor! Da janela, eu podia avistar os pescadores voltando do mar com seus barcos abarrotados de peixes, ostras, lagostas e camarões, eu podia ouvir o canto dos pássaros rasgando o céu e podia ver dois esquilinhos escalando uma árvore... Sim, a natureza explodia em vida ao meu redor e também crescia dentro de mim.
Um filho...
Só de pensar nisso, o meu coração fica descompassado!
Como será que eles reagiriam? Será que ficariam felizes? Surpresos? Com medo? Sim, com certeza sentiriam tudo isso, assim como eu senti quando abri o envelope com o resultado do exame. A nossa delicada situação nos faz sentir tudo isso mesmo...
Mas nós vamos conseguir!
Sim, vamos conseguir!
Nós somos fortes, decididos, corajosos... E esse bebê, não será amaldiçoado como algumas pessoas perversas nos chamam. Deus não amaldiçoaria um bebezinho inocente... O Deus em quem eu acredito não faria isso com o fruto de nosso amor.
Enquanto pensava nessas coisas, acariciava meu ventre e sorria.
- Sim, meu bebê... você é o fruto de um grande amor, sabia? E não importa o que dizem as outras pessoas... Você foi feito com amor, muito amor, três vezes amor! – suspirei e enxuguei uma lágrima teimosa que descia pela minha face.
E quem disse que o amor vem em embalagens convenientes?
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